Pedem-me que faça "história virtual" a propósito da morte de Francisco Sá Carneiro. Há um livro de Niall Ferguson onde o método é explicado. Mas ainda sem esse nome, a "história virtual" esteve sempre implícita nos lamentos sobre o desaparecimento de Sá Carneiro. Por exemplo, no que Cavaco Silva escreveu em Outubro de 1981 "Sá Carneiro morreu, e a sua morte modificou profundamente a vida portuguesa em vários domínios, incluindo o económico e o social." Que poderia ter sido Portugal com Sá Carneiro? Atendendo ao percurso de Sá Carneiro, Portugal teria sido certamente um país mais agitado na década de 1980, mas provavelmente mais calmo ho- je.
Comecemos pela primeira hipótese. Sá Carneiro tinha prometido abandonar a chefia do Governo, caso o general Eanes fosse reeleito Presidente da República em Dezembro de 1980. Fora do governo, poder-se-ia ter encontrado, mais uma vez, em ruptura com os outros dirigentes do PSD, aos quais nunca agradou o seu estilo intempestivo de liderança e em particular a sua cisma anti-eanista. O Prof. Freitas do Amaral revelou que Sá Carneiro previa formar um novo partido, unindo as bases do PSD e os líderes do CDS. Quase de certeza, teria sido uma pedra no caminho dos acordos e arranjos que, a partir de 1980, foram reduzindo a política portuguesa a um negócio de bastidores. Talvez a crise de 1983-1984 tivesse servido a Sá Carneiro para regressar em força ao poder. Tentaria a sorte nas eleições presidenciais de 1986? Quem teria ganho, se o candidato de esquerda tivesse sido Mário Soares? Atingimos aí os limites da especulação controlada.
Como teria a agitação sá-carneirista influenciado o desenvolvimento de Portugal? As revisões constitucionais (1982 e 1989) e a integração na Comunidade Europeia (1986) puseram fim à tutela da esquerda militar, libertaram a iniciativa privada, e fizeram o país adoptar os padrões da Europa ocidental. Tudo isso eram objectivos de Sá Carneiro - objectivos que, aliás, assumiu mais cedo e mais frontalmente do que a restante classe política. Não será descabido pensar que ele os teria continuado a conceber com mais audácia.
Sá Carneiro nunca teve medo de dizer o impensável e o inconveniente. Em 1969, foi "liberal" quando, para a direita, isso era tão absurdo como ser hoje marxista; em 1975, foi "social-democrata", quando, para a esquerda, isso era tão odioso como ser hoje liberal. É provável que num clima ideológico mudado, como foi o da década de 1980, quando Thatcher e Reagan se tornaram a referência de novas políticas, a ousadia e a própria lógica da bipolarização o tivessem levado a aprofundar a ideia de autonomia da sociedade civil, e a ideia conexa de reforço da autoridade do Estado por via democrática. Quase de certeza, teria procurado fazer corresponder os seus projectos a um movimento de opinião pública. Aliás, o que destacou Sá Carneiro na política portuguesa foi o poder, em contextos institucionais que lhe eram profundamente adversos, de suscitar expectativas e entusiasmos. Em 1980, para realizar a revisão constitucional, sugeriu a via do referendo, em vez dos acordos parlamentares. A "bipolarização" que defendeu não consistia apenas na existência de dois partidos grandes, mas de dois movimentos políticos capazes de assumir escolhas diferentes no âmbito do regime democrático. Muito provavelmente, as chamadas "reformas estruturais" teriam sido avançadas por Sá Carneiro no quadro do confronto democrático entre "modelos de sociedade", e não através de consensos espartilhados por directivas internacionais.
O que é que poderia, assim, ter sido diferente? Talvez que a causa das reformas tivesse tido a seu favor, não apenas a opinião e a competência de uma minoria de secretários de estado e de comentadores de jornais, mas um verdadeiro movimento cívico de pressão, levantado em nome de princípios e valores, e capaz de contrabalançar a inércia burocrática e a reacção dos bem-instalados.
Galp com lucros de 251 milhões de euros em 2011
Banca e Galp provocam sessão negativa da bolsa de Lisboa
Estado paga mais um ano a trabalhadores do BPN
Excesso de confiança na tecnologia afeta vida social
Passos diz que políticos portugueses não são bem pagos
Tribunal inicia julgamento de suspeito de homicídio
Feira do sexo quer ser "mais didática"
Carnaval é "batalha perdida para o Governo", diz Marcelo
Dados europeus desmentem subida de abortos em Portugal
1500 polícias desistem da farda em três anos
UE impõe condições para Grécia obter resgate
Seguro exige explicações de Passos sobre ajuda externa
Santana para Rosas: "Salazar é a sua tia!"
80 mil abortos 'por opção' desde 2007, 13 mil reincidentes
Gestores da TAP, RTP e CGD escapam a tetos salariais
Schulz justifica-se em português no Twitter
Ahmadinejad convida Bento XVI a visitar o Irão
Se Passos não vem à AR "alguma coisa quer esconder"
Ajustamento do plano de ajuda financeira a Portugal é inevitável?
Feira do Livro
Guia Indispensável do Emprego
O número de leitores do DN aumentou 27%
Todas as Iniciativas DN