por
pedro mexia
pedromexia@gmail.com
Como salientei na coluna de ontem, as cartas de António Lobo Antunes agora publicadas são textos pessoais depois validados como literatura (embora com algumas zonas cinzentas). O mesmo não acontece com Bilhete de Identidade (Alêtheia), as memórias de Maria Filomena Mónica, escritas com a intenção explícita de contar aos leitores episódios pessoais.
Na introdução, Mónica explica que esta autobiografia de juventude (1943-1976) surgiu na sequência da doença e morte da sua mãe. A mãe sofria de Alzheimer (ou seja, de ausência de memória) e deixou imensos papéis familiares (ou seja, imensas memórias). Estas memórias nascem desse colapso e desse reencontro. Há aqui uma intuição certeira e poderosa a intuição de que a identidade se faz da memória, a que se mantém activa e a que estava soterrada. Ao mesmo tempo, Filomena Mónica reivindica uma tradição autobiográfica destemida, quase inexistente entre nós mas que é comum nos países anglo-saxónicos.
Sem cuidados nem rasuras, Bilhete de Identidade conta tudo. Inevitavelmente narcisista, esta biografia põe em cena uma Julie Christie lisboeta em trânsito dos meios tradicionalistas para os meios esquerdistas. Há com frequência anotações e evocações curiosas, entre debutes e activismos, mas nada que não conheçamos doutros testemunhos. A estratégia inovadora passa por um sublinhado nada subtil estas são (nunca nos esquecemos) as memórias de uma mulher atraente e inconformista que teve casos com pessoas conhecidas e conta esses episódios com detalhe.
Esse é o aspecto mais questionável deste texto. Nada tenho contra a literatura intimista (muito pelo contrário) e não me considero especialmente puritano. Mas creio que (como dizia o outro) não havia necessidade de alguns comentários íntimos que aqui encontramos, sobretudo os que envolvem pessoas concretas e famosas.
O intimismo em causa própria é inteiramente legítimo o intimismo que implica terceiros é terreno mais melindroso. Tenho por isso alguma pena que este desassombrado testemunho seja um sucesso de vendas pelas razões mais básicas: porque as pessoas querem saber quem dormiu com quem (e como correu).
"Somos portugueses, mas não somos baratinhos"
Queijo da Serra é "um dos melhores queijos do mundo"
Gaspar: Reajustamento da ajuda não está em cima da mesa
"É mais uma alegria na minha vida"
Eurodeputados vão passar a pagar IRS em Portugal
O homem que recusou saudar os nazis
Príncipe Harry coroado "Top Gun"
Encontradas jóias no valor de 7 milhões de euros
Souza no Grémio é desilusão para os adeptos do Vasco
Senhorio obrigado a realojar em caso de obras
Mulher obrigava mãe de 77 anos a viver fechada na garagem
Santana para Rosas: "Salazar é a sua tia!"
80 mil abortos 'por opção' desde 2007, 13 mil reincidentes
Gestores da TAP, RTP e CGD escapam a tetos salariais
Schulz justifica-se em português no Twitter
Ahmadinejad convida Bento XVI a visitar o Irão
Casamento gay aprovado pelos eleitos de Washington
Pensa que os militares têm razão nas reivindicações que fazem ao Governo?
Feira do Livro
Guia Indispensável do Emprego
O número de leitores do DN aumentou 27%
Todas as Iniciativas DN