Sharon voltou a surpreender. Aos 78 anos, a decisão de formar um novo partido é mais uma prova da tenacidade do velho general, envolvido em todas as guerras entre judeus e árabes. A obsessão pela segurança e os métodos duros valeram-lhe a admiração dos israelitas, mas, nos últimos meses, tem sido acusado de traição. Os radicais do Likud não lhe perdoaram a evacuação dos colonatos de Gaza. Contestação impensável aquando da sua eleição em 2001 e reeleição em 2003. Mas o pai das forças de elite manteve a serenidade. Nascido em 1928 na Palestina sob mandato britânico, aos 14 anos juntou-se à milícia que antecedeu o exército israelita, a Haganah, tendo lutado na guerra de 1948-49, após a criação do Estado de Israel. Já general, comandou uma divisão na guerra do Yom Kippur, em 1973. Enquanto ministro da Defesa, em 1982, o defensor da colonização ordenou a destruição do colonato de Yamit (no Sinai). Arquitecto da invasão do Líbano, foi considerado "indirectamente responsável" pelos massacres de Sabra e Chatila, em que morreram três mil palestinianos às mãos das milícias cristãs. Obrigado a demitir-se, iniciou uma travessia do deserto que teria posto fim a qualquer carreira, mas não à de Sharon, que volta ao Governo no início dos anos 90. Após a queda da URSS, e para absorver os imigrantes, duplicou os colonatos em Gaza e na Cisjordânia, os mesmos que desmantelou em Agosto. Em 1999, chegou à liderança do Likud. Em 2000, a sua visita à Esplanada das Mesquitas esteve na origem da segunda Intifada. Apelidado por George W. Bush de "homem de paz", enviuvou duas vezes e teve três filhos Gur (morreu em 1967), Omri e Gilad.
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