por
fernando madaíl*
As velhinhas de Almendra, logo transformadas pela ironia de Soares em "moças da minha idade", brindaram-no com expressões do género "olha, como ele está bom!", "olha, como está bonito!". A caminho da Câmara de Vila Nova de Foz Côa, onde o próprio contaria o sucedido, como "toda a gente" o conhece, parou na feira da povoação para falar a centenas de pessoas.
No fim da jornada de ontem, no repleto salão dos bombeiros de Freixo de Espada à Cinta, dirigia-se aos jovens da raia, dizendo-lhes que não devem ter complexos em relação ao país vizinho, porque Portugal é uma nação mais antiga do que a Espanha, que só se definiu no final do século XV. Por isso, "convém ter na Chefia do Estado alguém que conheça a História e a cultura do nosso país, alguém que conheça Os Lusíadas, o nosso poema máximo" - para os mais atentos, uma alusão à antiga gafe de Cavaco.
"Aos comícios só vão os que já estão convertidos", explica Soares, que diz apostar mais numa "campanha de proximidade, de afectos", o que lhe permite afirmar que tem a "convicção arreigada" de que vai ganhar. "Estou-me a bater com entusiasmo, sem me poupar a canseiras, visitando todo o País, contactando com toda a gente e, portanto, estou convencido disso".
"Mas se, por acaso, me enganasse - não há ninguém que não se engane [farpa à célebre sentença de Cavaco, "nunca me engano e raramente tenho dúvidas"] -, também não era trágico, porque a sementeira de ideias que estou a fazer vai dar os seus frutos, seja nas eleições, seja depois. Mas estou convencido - o povo português é muito arguto - que vai ser já". No jantar da véspera, com um milhar de apoiantes em Castelo Branco, disse que "não há duas sem três" e garantiu que só fará um mandato.
Contra a visão economicista, o político que sublinha ter salvo Portugal da bancarrota por duas vezes, não ilustraria melhor as suas teses do que elogiando o parque arqueológico do Vale do Côa. No tempo em que ouviu ali cantar, numa adaptação do hit dos Black Company, "as gravuras não sabem nadar, yo!", o Executivo de Cavaco hesitava entre construir a barragem ou, "contra a opinião dos economicistas, que apenas vêem a curto prazo", preservar as gravuras rupestres, uma "coisa que não tem preço", como reconhecem "todos os arqueólogos, dos americanos aos russos, passando pelos chineses". E a decisão de trocar o aumento da produção de energia eléctrica pelo Património Mundial, frisaria, deveu-se a Guterres. * Com Lusa
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