por
fernando de sousa
em paris
As ambições presidenciais do ministro do Interior da França, Nicolas Sarkozy, viram-se encorajadas com a subida de popularidade gerada pela forma como respondeu aos distúrbios nas cidades francesas. O primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin, outro potencial candidato à Presidência da República, sentiu, igualmente, um aumento importante de popularidade.
Esta situação, reflectida em sondagens, coloca problemas ao Partido Socialista, a poucos dias do seu congresso em Le Mans, onde irá procurar afirmar a unidade interna como ponto de partida para a preparação das eleições presidenciais de 2007.
Embora só dentro de um ano se espere uma decisão quanto ao candidato socialista às eleições, várias consultas de opinião têm mostrado algum apoio a Ségolène Royal, actual presidente da região de Poitou--Charentes. Numa entrevista à Rádio Monte Carlo, Ségolène Royal considerou que, se estivesse em posição de fazer ganhar a esquerda, e criar o consenso além da esquerda, uma candidatura faria parte das "soluções possíveis".
O reforço da posição de Sarkozy ficou claro numa sondagem da Ipsos para a revista Le Point, ontem divulgada, com uma subida de popularidade de 11 pontos em relação a consultas anteriores. Segundo esta sondagem, 68% dos inquiridos apoiam a actuação de Sarkozy em resposta aos confrontos nos arredores de várias cidades francesas, envolvendo comunidades imigradas. Apenas 30% se manifestaram contra o ministro, reagindo a declarações que foram consideradas, em vários sectores, como provocadoras de mais distúrbios, especialmente a que considerava que os responsáveis eram uma "escumalha". Em sondagens anteriores (10 e 12 deste mês), Sarkozy obteve apoios de 53% e 56%.
favorito. Um elemento importante para a perspectiva de Sarkozy se apresentar como candidato às presidenciais de 2007 foi a constatação de que o seu potencial eleitoral presidencial, indicador criado há dois anos, é agora de 61%, uma subida de 10% em relação a consultas anteriores. Segundo as sondagens, 19% dos inquiridos indicaram que votariam de certeza em Sarkozy e 42% encararam essa escolha como uma possibilidade. Sarkozy desfrutaria do apoio quase unânime do partido a que preside, a UMP, mas também teria votos da UDF e da Frente Nacional de extrema-direita, onde a simpatia poderia chegar a 90%.
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