por
manuel carlos freire
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, participa hoje numa manifestação de protesto "contra todas as ditaduras" que parece eliminar o Estado fascista italiano de Benito Mussolini (1922-1943) da história do século XX.
Perante a estupefacção geral, o partido de Berlusconi, Forza Italia, excluiu Mussolini da galeria de cartazes que retratam os grandes ditadores da era actual. No âmbito da manifestação, destinada a celebrar o "aniversário da queda do Muro de Berlim", a coligação de direita no poder afixou cartazes a preto e branco com as figuras de Hitler (de quem o líder fascista italiano foi aliado durante a II Guerra Mundial), Estaline, Fidel Castro, Saddam Hussein e até Ussama ben Laden - mas não a de Il Duce (o líder), assinalaram ontem os principais jornais italianos.
"Ao olharmos para estes cartazes, a dúvida instala-se ter-se-ão esquecido de um tal Mussolini?", questionou o Unità, diário do partido comunista transalpino (DS, Democratici di Sinistra).
O La Stampa, diário do grupo Fiat, aborda a questão com algum humor "Benito Mussolini conseguiu escapulir-se dos cartazes concebidos pela Forza Italia para assinalar a queda do Muro de Berlim."
Mas, já num tom sério, acrescenta "Não ousamos pensar que esta omissão foi feita voluntariamente para não irritar os nostálgicos que votam pela Casa delle Libertà", a coligação governamental de que faz parte a Alianza Nationale (partido nascido do movimento pós-fascista italiano MSI).
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