por
filipe santos costa
Manuel Alegre garantiu ontem que "não deixaria de dormir descansado" por causa de uma vitória de Cavaco Silva nas eleições presidenciais. "Não acho que a democracia vá ao ar se Cavaco Silva ganhar as eleições", frisou o candidato, em entrevista à TVI.
Confrontado com declarações suas em que chamava a atenção para os riscos que uma vitória de Cavaco traria para o regime político, Alegre desdramatizou esses riscos - "Acho que ele [Cavaco] se vai portar bem" - e insurgiu-se contra o que chamou de "diabolização" do adversário social-democrata, que considerou "uma pessoa séria e íntregra, mas crispado, que tende a crispar a vida política" e que "tem uma tendência para se cingir apenas aos problemas económicos". No entanto, Alegre acabaria por reconhecer que "se ele [Cavaco] for eleito, e com certo tipo de apoiantes que tem (...), pode haver alguma tentação presidencialista".
Questionado sobre o que o distingue de Mário Soares, Alegre explicou que tem "uma concepção mais actual da situação de Portugal e do mundo", bem como "uma leitura política porventura mais interventiva no âmbito dos poderes do Presidente da República". Mas frisou que o que o separa de Soares é "sobretudo" a discordância em relação a essa candidatura. "Essa é a primeira questão".
Sobre o processo que o levou a decidir entrar na corrida a Belém, Alegre afirmou que falou "várias vezes" com Sócrates sobre a sua eventual candidatura, mas que nunca chegaram a "nenhum acordo formal", até porque ele próprio ainda não tinha decidido se queria ou não ser candidato. "Estive quase resignado a me candidatar [pelo PS], mas não com grande alegria nem grande entusiasmo", confessou. Ao ponto de ter ficado "quase aliviado" quando soube que Sócrates tinha escolhido Soares. Uma notícia que, garante, não o surpreendeu, "de maneira nenhuma", mas que o ajudou a tomar a decisão final "Só senti o impulso de me candidatar depois do PS ter manifestado o apoio a Mário Soares."
Sendo deputado em funções, Alegre está na iminência de votar o Orçamento de Estado, mas não revelou qual será o seu sentido de voto, apenas deixou elogios e críticas ao documento "Tem aspectos positivos, é um orçamento de verdade, que diminui as despesas e aumenta as receitas", reconheceu, mas é também "um orçamento de austeridade, duro, que vai ter consequências sociais graves".
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