por
rita carvalho
A chuva intensa que caiu nas últimas duas semanas já fez subir em quase 10% o nível de armazenamento de água nas albufeiras do Norte do País. Mas se a chegada da precipitação atenua a gravidade da seca, cria novos problemas, pois o solo está seco, despido pelos fogos e muito exposto à erosão. Com o arrastamento de terras, surge o risco de derrocadas, desabamentos e contaminação dos recursos hídricos. O mau tempo vai manter-se até quinta-feira e hoje o vento deverá soprar a cem quilómetros no Norte litoral.
O último relatório da seca, que será conhecido hoje, demonstra que a água armazenada nas albufeiras subiu nas bacias do Lima, Cávado e Alto Lindoso, enquanto que a sul a recuperação foi de 5%. Contudo, lembra Rui Rodrigues, do departamento de recursos hídricos do Instituto da Água (Inag), "um mês de chuva não é suficiente para repor a normalidade", pois o défice de precipitação é enorme. Além disso, Outubro de 2004 foi igualmente chuvoso, e nalguns locais até mais do que este, o que não invalidou um ano de seca extrema. A novidade deste relatório é a inversão da tendência de descida dos níveis, diz o Inag.
Mas a chegada da chuva, aguardada e ansiada por todos, para além de não afastar de vez o cenário de seca acarreta novas preocupações. Com a precipitação forte, aumentam os riscos de derrocada e aluimento de terras, que podem pôr em perigo pessoas e bens. As zonas com grande declive e percorridas pelas chamas são as mais expostas à erosão, principalmente aquelas onde o fogo é recorrente.
"O coberto vegetal desses solos desapareceu, diminuindo a capacidade de retenção e infiltração da água da chuva", explica ao DN Carlos Costa, presidente da associação ambientalista GEOTA. Ou seja, quando chove com força, a água não encontra obstáculo antes de atingir o solo, e se este for muito inclinado ganha muita velocidade. Daí podem decorrer enxurradas e desabamentos.
O GEOTA pede, por isso, medidas urgentes "É preciso lançar obras de contenção criando barreiras artificiais à força das águas, para evitar desabamentos de terras. Nas áreas ardidas não se deve retirar a madeira enraizada, mesmo que esteja queimada, pois funciona como obstáculo à progressão das águas." Este trabalho deve ser feito rapidamente, diz. Para o Inag, para já não há razão para alarme, pois não ocorreram chuvas erosivas, mas Rui Rodrigues ressalva que qualquer chuva em solo desguarnecido é motivo de preocupação.
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