por
filipe morais
"Não sei se sabem o que é a Emissora Nacional. Creio que é uma espécie de música; é pelo menos uma coisa que todos têm ouvido. Há quem afirme que ela não é música e sim uma mulher bonita, visto que muitos a cobiçam não sei; o rádio é na verdade o grande descobrimento do nosso século, e aos espíritos sequiosos de modernismo não há rádio que os farte". Com esta citação do poeta Tomás Ribeiro Colaço, o professor universitário Rogério Santos mostra o fascínio que se criou em torno da rádio, no seu livro As Vozes da Rádio, apresentado hoje pelo jornalista Adelino Gomes, na Fnac do Chiado, em Lisboa, às 18.30.
Segundo o autor explicou ao DN, esta obra quer centrar-se na evolução da rádio durante um período em que o meio cresceu das primeiras emissões em Portugal até que foi sujeito à primeira legislação de restrição, em 1939, ano em que começava a guerra civil em Espanha, mas também a Segunda Guerra Mundial. A obra pode ser dividida em três partes, com "a primeira a ser mais técnica, talvez a menos agradável". No entanto, Rogério Santos confessa o seu fascínio por esta área "É uma tecnologia que domino, sou capaz de construir um rádio de 1930", diz.
Mas são as fases seguintes do AsVozes da Rádio que o autor considera serem "mais interessantes", já que tratam dos aspectos "culturais e focando aspectos como as revistas sobre rádio. O livro revela que, durante "a época e meia em estudo, foram recenseados 21 jornais, revistas e boletins dedicados à actividade da rádio", sendo que as primeiras publicações incentivavam "a produção de aparelhos feitos em casa", mas o peso da rádio no lar não é esquecido. Rogério Santos destaca alguma influência deste meio com um texto de Vítor França, na revista TSF em Portugal, que refere que "um receptor de TSF há-de ser a felicidade do lar conjugal, porque há-de evitar que o marido abandone o seu lar à noite, e isso... será o bastante para fazer felizes as esposas que tantas vezes vêem com enorme tristeza as ausências nocturnas dos maridos".
Outro aspecto da rádio que é destacado passa pelo lançamento dos programas infantis, nomeadamente "no Rádio Clube Português, com um espaço de uma hora". O docente diz não ter tido possibilidade de ouvir as emissões originais, mas recolheu informação que mostrava que estas "serviam, por exemplo, para promover pequenos cantores". Um dos programas que realça era o do Menino Tonecas, "que tem passado na televisão, mas que teve o seu início na rádio. Eram programas agradáveis e este aspecto social e cultural da rádio é muito interessante", sendo que o As Vozes da Rádio "dá importância não só às rádios nacionais como também às rádios locais".
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