por
antónio josé teixeira
O presidente da Câmara Municipal do Porto decidiu restringir o contacto da comunicação social com a autarquia. Neste segundo mandato, apenas concederá entrevistas por escrito, "com regras previamente definidas, evitando ou minimizando assim interpretações especulativas ou a pura manipulação das respostas". Rui Rio não gostou do título de uma entrevista que concedeu ao JN e resolveu passar a "recorrer, preferencialmente, à mensagem escrita". Quando se fala em entrevistas por escrito tal significa que o entrevistado tem conhecimento prévio das perguntas e que não é possível qualquer questionamento das respostas do entrevistado. É uma óbvia limitação informativa porque não permite um cabal esclarecimento das ideias e das acções do entrevistado, só aceitável quando o contacto directo não é viável. Uma entrevista é, por natureza, um encontro, directo, pessoal, olhos nos olhos.
A atitude de Rui Rio não mereceria reparo especial não fosse o caso de estarmos perante um detentor de um cargo político, que tem obrigações de esclarecimento dos seus concidadãos e que é pressuposto facilitar - sem favor - o acesso dos jornalistas às fontes de informação. Dir-se-á, e é verdade, que é possível informar os cidadãos sem conceder entrevistas. Mas o que subjaz nas declarações de Rui Rio, ao preocupar-se em controlar as interpretações das suas palavras, é um espírito pouco democrático.
A liberdade de expressão com que se cose a democracia pressupõe circulação, interactividade, argumentação. A liberdade de palavra não é apenas liberdade de expressão, deve ser também liberdade de mediação e liberdade de recepção, ou de acolhimento. E é aqui que Rui Rio falha. As entrevistas directas, abertas, livres, não são um favor que o autarca presta à comunicação social. São um vector de prestação de contas ao eleitorado. Em democracia não existe a interpretação, existem interpretações. A imperfeição da democracia não se resolve com condicionamentos, mas com mais democracia, com mais combate pela palavra. Fica mal a Rui Rio, a quem o eleitorado conferiu uma maioria absoluta, fugir ao questionamento directo dos jornalistas. As entrevistas por escrito confundem-se habitualmente com propaganda, não são adequadas a quem não receia as suas próprias palavras e as interpretações que se possa fazer delas. O DN desde já declara que estará sempre interessado em ouvir o presidente da Câmara do Porto de viva voz. Não está interessado em combinações de entrevistas por escrito.
Fica mal a Rui Rio fugir ao questionamento directo dos jornalistas. As entrevistas por escrito confundem-se habitualmente com propaganda, não são adequadas a quem não receia as suas próprias palavras e as interpretações que se possa fazer delas
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