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Gravidez mata uma mulher em cada minuto

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Céu Neves  

Em cada minuto que passa uma mulher morre "desnecessariamente por problemas relacionados com a gravidez", alerta o relatório anual do Fundo das Nações Unidas (FNUAP), ontem divulgado. Mais de meio milhão de vidas perdidas por ano, cujos filhos ficam ainda mais vulneráveis. Estes têm três vezes mais hipóteses de morrer prematuramente do que os bebés cujas mães sobreviveram ao parto. Segundo a ONU, os dados "mostram a pouca importância atribuída à mulher" e como será difícil reduzir a pobreza até 2015.

"Os problemas de saúde reprodutiva são a principal causa de falta de saúde e de morte de mulheres entre os 15 e 44 anos", alerta o estudo. Às 500 mil mulheres que morrem anualmente ao dar à luz juntam-se oito milhões que sofrem de doenças e complicações derivadas da gravidez. Os países africanos têm a maior taxa de mortalidade materna, tal como acontece com a mortalidade infantil (ver quadro). São também as nações deste continente que registam os maiores índices de gravidez na adolescência.

Na África subsariana, uma mulher em cada 16 corre o risco de morrer devido a complicações da gravidez, enquanto a percentagem dos países industrializados é de uma para 2800. Os autores do relatório defendem que "o acesso a métodos contraceptivos seguros e eficazes é decisivo para alcançar os oito Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM). Todos os anos ocorrem 76 milhões de gravide- zes não desejadas só no mundo em desenvolvimento e, destas, 19 milhões terminam com um aborto em condições de risco, a principal causa de morte materna. E muitas são adolescentes.

Os ODM visam reduzir a pobreza até 2015 e abrangem objectivos que vão do ensino primário para todos à contenção da sida, passando pela redução da mortalidade materna. O relatório da FNUAP, "A situação da população mundial 2005, a promessa de igualdade", conclui que é fundamental tratar as mulheres de forma igual.

SIDA. A propagação da epidemia do HIV/sida demonstra bem como as mulheres são discriminadas no acesso à saúde, à educação e à informação. Quando o vírus surgiu como um problema de saúde pública, na década de 1980, os homens eram a maioria dos infectados. Hoje, dos 40 milhões de indivíduos seropositivos, aproximadamente metade são mulheres (57% na África subsariana e 49% nas Caraíbas), aumento que se faz sobretudo sentir entre o grupo etário dos 15 aos 24 anos. A doença é a principal causa para que países, como a Suazilândia, Lesoto e Botswana tenham uma esperança de vida de cerca de 35 anos. E, ao contrário do que acontece em geral, a população feminina tem nestes países menos anos de vida que a masculina (ver quadro). A nível mundial, apenas 8% das mulheres grávidas foram abrangidas por acções de prevenção da sida em 2003.


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