por
sofia jesus
O Presidente da República, Jorge Sampaio, defendeu ontem o combate ao insucesso escolar e o estímulo à qualificação, através de percursos alternativos e maior articulação entre empresas e instituições. Num dia dedicado à educação, também a ministra Maria de Lurdes Rodrigues apelou à aposta na diversificação das ofertas educativas, como modo de formar os 200 mil jovens com menos de 24 anos sem o 9.º ano. Quanto aos professores, Sampaio diz ser urgente credibilizar a profissão, através da "avaliação e prestação pública de contas"
Segundo a ministra, que acompanhou Jorge Sampaio numa visita à Escola Secundária do Monte da Caparica - na véspera do Dia Mundial do Professor, que hoje se comemora - o que acontece no secundário é que "a maior parte das famílias encaminha as crianças para os cursos gerais, que muitas vezes não são interessantes para os adolescentes", conduzindo ao insucesso.
O "trauma" da sociedade deve-se, em parte, ao facto de muitos pais "menosprezarem" os cursos técnicos ou profissionais, por pensarem que estes limitam a progressão dos estudos. Para inverter esta tendência, o Governo vai aumentar o número de vagas disponíveis nestas ofertas alternativas, ao nível do 12.º ano, em pé de igualdade com os gerais. A meta, definida em 21 de Setembro pelo primeiro-ministro, é chegar a 650 mil jovens e a metade da oferta do secundário.
Quanto ao modelo de financiamento para incentivar a permanência dos jovens nas escolas, através dos cursos profissionais, Maria de Lurdes Rodrigues anunciou que a questão está a ser estudada com o Ministério do Trabalho, de modo a que não haja redes de ensino concorrenciais "Até ao final do ano, esperamos ter o problema resolvido".
Ao fim do dia, e após uma visita à Câmara de Comércio Luso-Alemã - onde funcionam cursos do Sistema de Aprendizagem -, o Presidente destacou os progressos feitos pelo País na educação, mas sublinhou que "é ainda longo o caminho a percorrer". Lembrando que "a responsabilidade dos professores não se esgota no tempo da aula" e que "é preciso encontrar estratégias de diversificação pedagógica", deixou, porém, um alerta "Não podemos responsabilizar os professores por todos os problemas" do sistema educativo. Como desafios à profissão, que considera "forte e prestigiada", Sampaio destacou "a urgência de assegurar a credibilização dos professores, promovendo uma cultura marcada pela avaliação e prestação pública de contas".
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