No início dos anos 90, apenas algumas pessoas possuíam telemóveis. Mas mesmo essas eram já suficientes para transformar uma viagem de comboio num tormento e, por isso, escrevi um artigo bastante irritado sobre o facto.
Basicamente, o que eu disse foi que os telemóveis deviam ser destinados apenas a equipas de transplante de órgãos, canalizadores (ambos os grupos constituídos por pessoas que, para bem da sociedade, devem estar sempre contactáveis) e aos adúlteros.
Além disso, especialmente nos casos em que cavalheiros que noutras situações seriam discretos andavam aos gritos nos comboios e aeroportos sobre acções, preços do aço e empréstimos bancários, possuir um telemóvel era, em primeiro lugar e além do mais, um sinal de inferioridade social.
As pessoas verdadeiramente poderosas têm 20 secretárias que lhes filtram as mensagens, enquanto aqueles que precisam de telemóveis são gestores médios que devem estar disponíveis para atender os presidentes executivos em qualquer momento, ou pequenos negociantes cujos bancos os querem informar de que as respectivas contas entraram no vermelho.
Desde então a situação dos adúlteros passou por duas mudanças na primeira fase tiveram de desistir deste instrumento, então reservado a uma minoria, porque mal comprassem um as suas mulheres teriam imediatamente bases para legítimas suspeitas.
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