por
luciana leitão
sofia jesus
Os genéricos poderão vir a ter um preço "equivalente ou, nalguns casos excepcionais, até mesmo superior" ao dos produtos de marca, segundo adiantou ao DN fonte do Ministério da Saúde. Na origem do "nivelamento dos preços", está o fim do incentivo extra de 10%, dado pelo Estado, para promover o consumo dos medicamentos de marca branca. Entre os genéricos que deverão sofrer este efeito está o grupo das estatinas, utilizadas no tratamento do colesterol.
Segundo explicou ao DN fonte da tutela, "no momento em que um genérico entra no mercado, o seu preço deve ser inferior a 35% ao do produto de marca". Como consequência, diz, os medicamentos de marca tendem também a baixar o preço, de modo a serem concorrenciais. No entanto, desde a semana passada, e com o fim da majoração de 10% dada pelo Estado - que constituía a vantagem que os genéricos mantinham em relação aos outros fármacos -, a mesma fonte estima que "os preços dos medicamentos fiquem muito aproximados senão mesmo iguais". Nalgumas raras excepções, os genéricos poderão mesmo ser mais caros.
No entanto, de acordo com a fonte do MS, esta situação pode ser "temporária". Embora sem precisar quanto tempo se verificará este efeito, prevê que "provavelmente o movimento que se seguirá será a descida dos preços dos genéricos", para recuperarem vantagem e tornarem-se mais concorrenciais. Afastada para já, "em termos administrativos, está uma nova acção do Governo para incentivar o consumo dos genéricos "Pela própria lógica do mercado isso há-de acontecer", assegurou, reafirmando que, após este período, e, "a breve prazo", a tendência será para a "compressão dos preços".
utente paga mais pelo genérico. A Associação Nacional de Farmácias (ANF) apresentou um estudo que indica que, mesmo com a redução de 6% nos preços de todos os medicamentos - que entrou em vigor na última quinta-feira -, a eliminação da comparticipação acrescida dos genéricos anulará o efeito desta descida. "O fim da majoração de 10% custará mais 4,2 milhões de euros por trimestre aos utentes", afirmou o presidente da ANF, João Cordeiro. Segundo explicou, o estudo partiu do grupo dos 500 medicamentos mais vendidos e, entre eles, seleccionou os 58 que eram genéricos - como os medicamentos para o colesterol, as úlceras ou ainda a hipertensão. "Depois, fomos ao consumo registado no 2.º trimestre e verificámos que, se a nova legislação estivesse em vigor nessa altura, o valor deste consumo passaria a ser 18,4 milhões de euros."
Por outro lado, disse, alguns medicamentos, antes comparticipados a 100%, passam a ser comparticipados em 95%, "para os doentes crónicos que não pagavam nada, a descida de preço não tem significado, porque agora têm de pagar".
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