por
susana salvador
O Presidente venezuelano acusou os EUA de terem preparado um plano para invadir o seu país. Numa entrevista ao programa Nightline, da cadeia de televisão norte-americana ABC, Hugo Chávez mostrou-se disponível para apresentar provas da existência do "plano Balboa", não querendo contudo revelar a origem da informação. A acusação surge um dia após o seu polémico discurso nas Nações Unidas, em Nova Iorque, no qual disse que a sede da organização devia abandonar os EUA - país que mais tarde apelidou de "terrorista".
"Digo-vos que tenho a prova de que existem planos para invadir a Venezuela", referiu Chávez. O Chefe do Estado acrescentou que estes envolvem vários aviões bombardeiros e navios de guerra. Contudo, deixou um alerta "Estamos a desenvolver um contra-plano Balboa. Isto é, se o Governo dos EUA planeia avançar com essa iniciativa imprudente de nos atacar, irá embarcar numa guerra de 100 anos. Estamos preparados."
Chávez foi mais longe ao recordar que, em caso de invasão, os EUA podem "esquecer" o milhão e meio de barris de petróleo que recebem diariamente da Venezuela - o correspondente a 15% das suas necessidades de "ouro negro". "O petróleo poderá atingir os 100 ou 120 dólares o barril" e "haverá um movimento de resistência por todo o continente", acrescentou o Presidente lembrando que os EUA não podem "controlar a Venezuela".
Já antes, Chávez tinha criticado Washington. Na tribuna das Nações Unidas, o Presidente venezuelano defendeu que a sede da ONU deveria sair dos EUA, uma vez que este país "não respeita as suas resoluções". Para a Venezuela, houve uma violação da Carta da ONU durante a cimeira que assinalou o 60.º aniversário da organização, já que o documento final foi apenas negociado por 30 países - "uma elite". Esta declaração de Chávez provocou aplausos na audiência que incluía 150 chefes do Estado e do Governo.
Chávez indicou que o hemisfério sul deveria acolher a nova sede da ONU, como alternativa a Nova Iorque - e para lutar contra a tentativa dos EUA de fazerem da organização "um instrumento da sua ditadura mundial". Citando o autor e poeta uruguaio Mario Benedetti, o Presidente Venezuelano afirmou que "o Sul também existe".
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