por
susete Francisco
A divisão da esquerda na corrida às eleições presidenciais prejudica ou favorece a candidatura de Mário Soares? Para os politólogos Pedro Magalhães e André Freire, Soares pode perder logo à primeira volta, se enfrentar nas urnas os candidatos do PCP e do BE. Já a desistência destes dará vantagem à candidatura de esquerda sobre a de Cavaco Silva. Uma análise que, no entanto, não é unânime Manuel Meirinho, docente de Ciências Políticas, defende que quatro candidatos são sinónimo de segunda volta.
Para Pedro Magalhães, a já anunciada candidatura de Jerónimo de Sousa, assim como o provável avanço de um nome apoiado pelo BE, podem beneficiar o ex-presidente da República - mas somente na circunstância de virem a desistir em favor de Soares. "A afirmação de uma candidatura, por parte do PCP, ajuda a dar ao seus eleitores a noção da importância destas eleições", sublinha o politólogo, acrescentando que, neste contexto, será mais fácil mobilizar o voto comunista "em favor de um candidato único de esquerda".
Já no cenário de uma ida às urnas dos três candidatos apoiados pela esquerda, o investigador defende que Cavaco Silva - provável candidato da direita- verá facilitado o caminho para Belém. Neste quadro "há uma forte possibilidade de o candidato da direita alcançar a vitória logo à primeira volta".
Pedro Magalhães lembra que, em 1996, Cavaco perdeu por escassa margem as presidenciais (para Sampaio), isto numa altura em que "as circunstâncias políticas lhe eram altamente desfavoráveis". Um quadro que agora se inverte. Soares será apoiado pelo PS e "é natural que um candidato apoiado pelo partido do Governo seja penalizado", sobretudo quando o Executivo "está numa curva descendente de popularidade". E, enquanto a esquerda se divide, Cavaco conta com uma "direita altamente mobilizada".
Sublinhando a tendência histórica de um "maior divisionismo da esquerda" nas presidenciais, Manuel Meirinho, docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas , defende uma concepção diferente o surgimento de vários candidatos "dificulta a eleição à primeira volta do candidato da direita". O princípio estende-se ao melhor colocado à esquerda - uma "vitória à primeira volta é muito difícil para qualquer um dos candidatos"-, mas o investigador considera que "a esquerda dividida dificulta mais" a vitória da direita. Até porque, sem maiorias na primeira volta, à segunda a esquerda surge unificada.
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