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O Verão quente de Sócrates

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FILIPE SANTOS COSTA  

autárquicas - Não são brilhantes as perspectivas do PS para o seu primeiro teste eleitoral desde que voltou ao poder. A ambição não é grande e mede-se por três objectivos ter mais votos que o PSD, à semelhança do que aconteceu há quatro anos, ganhar mais câmaras do que em 2001 e conquistar Lisboa e Porto. Não espera ser o partido com mais presidências de câmara, apenas espera roubar ao PSD as duas maiores. Mas já perdeu a esperança no Porto, e em Lisboa está em grandes dificuldades.

Blogosfera -Os blogues são o meio que mais tem zurzido no Governo. Que importância tem isto, sendo a sua audiência tão limitada? É que os blogues de política são bastante lidos nas redacções dos media tradicionais e, desta forma, condicionam em certa medida o olhar da comunicação social. Este efeito foi notório no caso da Ota e do TGV - cerca de 70 blogues, entre eles os mais influentes, fizeram campanha exigindo informação sobre estes projectos, o que terá ajudado a manter a atenção sobre o assunto. Nos cursos de jornalismo chama-se a isto agenda setting, ou seja, a escolha dos assuntos que são notícia.

Contestação -Apesar da acalmia motivada pelas férias, a contestação da função pública às medidas de restrição anunciadas pelo Governo não esmorece. Agosto não desmobilizou os militares dos três ramos das Forças Armadas, que se concentraram à porta da residência oficial do primeiro-ministro. E com o fim das férias está prometido o regresso dos protestos de professores, polícias e outros quadros do Estado, com a ameaça de greve geral no horizonte.

Demissão - A demissão de Luís Campos e Cunha foi o primeiro indício de que o Verão talvez não fosse só sol, praia e incêndios. A causa imediata foi a sua discordância face ao plano de investimentos prioritários, sobre cujos resultados manifestou dúvidas. Isolado no Governo, questionou as decisões de Sócrates sobre a Ota e o TGV - a saída era só uma questão de tempo, mas foi mais depressa do que se suporia. O substituto, Teixeira dos Santos, começou a governar nomeando Armando Vara para a administração da CGD.

Escândalo -Perante o envolvimento da Portugal Telecom em suspeitas relacionadas com o "mensalão", o escândalo que está a arrastar a Presidência de Lula da Silva, o Governo deixou-se ficar num silêncio incomodado. Mário Lino, através do seu gabinete, só saiu em defesa da administração da PT no dia em que Marcos Valério, o homem no centro do escândalo, ilibou a holding portuguesa de qualquer envolvimento nos financiamentos ilegais.


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