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"O amor é inexprimível e só a palavra o imortaliza"

por

a Na Marques Gastão  

A génese do amor, título do seu livro, é também a da escrita?

Em certa medida, tenta sê-lo, sim. Ou de uma génese mais larga ainda. Daí o penúltimo poema, a segunda Última meditação de Camões, em que eu digo "Foste, palavra minha, o mantimento que trouxe de jornada / E alimentaste a génese de tudo nas visões mais amargas". Não pretendo, naturalmente, dar nenhuma resposta para o que é a génese do amor, porque não tenho respostas. E depois, perdendo-se o mistério, perdia-se também a razão de ser da procura…

Trata-se, de alguma forma, da mesma questão que o hermeneuta desenvolve ao fazer a pergunta fundadora De onde vem o mundo?

Se calhar, trata. Porque génese significa nascimento, mas significa também origem, e o próprio poema acaba por ser a dimensão de um mundo. Como o amor.

Não será por acaso que, no seu livro de poemas, há uma remissão do título para o Génesis?


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