Nos últimos oito meses, Freitas do Amaral passou de apoiante de Cavaco Silva a abstencionista e, agora, adversário duma eventual candidatura presidencial.
Na sua primeira entrevista como ministro deste Governo, a 2 de Junho, na RTP, Freitas do Amaral foi confrontado por Judite de Sousa com as declarações que tinha feito em Outubro de 2004. Nessa altura, o professor de Direito havia considerado "bastante possível que apoiasse Cavaco" nas presidenciais.
Passados oito meses, Freitas explicou na RTP que a sua posição já não era a mesma e preanunciou a sua abstenção nas eleições presidenciais "Nessa altura era a resposta que correspondia ao meu pensamento. Fazendo eu [agora] parte de um Governo socialista, se o prof. Cavaco Silva for o candidato da direita e o PS tiver um candidato adversário, eu não posso apoiar Cavaco Silva contra o candidato do PS. Por uma questão de gratidão ao prof. Cavaco Silva, que fez de mim presidente da Assembleia Geral da ONU, não posso apoiar um candidato do PS contra Cavaco Silva. Assim, a posição mais natural é abster-me."
Na entrevista que ontem o DN publicou, Freitas volta a mudar de posição, afirmando-se agora como feroz opositor de Cavaco, a quem se refere como "candidato a salvador da pátria" que está a transformar as eleições num "plebiscito unanimista".
É a evolução mais recente numa relação que já teve momentos de grande entusiasmo. A 13 de Julho de 2001, numa carta enviada ao DN, Freitas não escondia o seu alinhamento com o ex-primeiro-ministro "Desde já declaro que, se [Cavaco Silva] decidir ser candidato presidencial em 2006, não só não concorrerei contra ele, como terei todo o gosto em o apoiar."
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