por
Rudolfo Lago
Correspondente em Brasília
As primeiras informações da quebra do sigilo bancário das contas das empresas do publicitário Marcos Valério de Souza reforçam a credibilidade da denúncia feita pelo deputado Roberto Jefferson, do PTB, de que se terá montado um esquema de pagamento a parlamentares aliados do Governo do Presidente Lula da Silva, o chamado "mensalão". Num levantamento preliminar das informações, apurou-se que mais de 30 deputados - ou os seu assessores - foram autorizados a levantar os recursos das contas de Souza. Os deputados deslocavam-se às agências do Banco Rural e dali retiravam altas somas em dinheiro vivo.
Os saques feitos nas contas de Valério de Souza somam mais de 10,5 milhões euros. De acordo com as informações, Souza enviava às agências mensagens, via fax, para autorizar que as pessoas levantassem as quantias. O maior volume de recursos foi sacado pela secretária de Souza, Simone Vasconcelos, que terá retirado no total cerca de 3,5 milhões de euros. Em pelo menos duas ocasiões, solicitou o uso de um carro-cofre para transportar valores. No seu depoimento à CPI dos Correios, que investiga o esquema, Fernanda Karina Somaggio, a ex-secretária de Valério de Souza, disse que era Simone Vasconcelos quem distribuía, no quarto de um hotel em Brasília, o mensalão.
Além da secretária de Valério de Souza, há também nomes de políticos, principalmente do PP, do PL e do próprio PT que constam nesta lista. A mulher do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) terá recebido cerca de 17 mil euros. Em sua defesa, o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, explicou os saques como liquidação de dívidas eleitorais. Mas boa parte dos levantamentos não foi feita durante a campanha eleitoral. "Estamos diante das primeiras evidências do mensalão", concluiu o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS). Para os parlamentares de oposição, a crise só se agrava. E aproxima-se a passos largos do Governo de Lula.
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