Eluciano
amaral
xiste correntemente na linguagem política em Portugal (e na Europa também, na verdade) uma peculiar imprecisão de termos. Palavras como "liberal", "conservador", "socialista" ou "social-democrata" deixaram de ter sentido claro. Em parte, está bem assim. Os grandes conceitos políticos têm e devem ter certa maleabilidade, não havendo uma "via única" para o "liberalismo" ou a "social-democracia". Mas mesmo descontando esta maleabilidade, a imprecisão parece ter sido levada hoje a um ponto que vai para além do aconselhável. O estado do vocabulário político lembra um pouco o dos tempos finais da URSS, em que eram apresentados como "conservadores" aqueles apostados na sobrevivência e aprofundamento do "comunismo" e como "revolucionários" os que pretendiam uma transformação "capitalista".
Quatro termos muito utilizados têm conhecido esta degradação do seu valor substancial "radical", "moderado", "utópico" e "realista".
Aqueles que persistem em salvar o "modelo social português" (a nossa versão, remediada, do europeu) são louvados como "realistas", porque não vão além de um certo reformismo incrementalista, e como "moderados", porque não pretendem uma transformação política e social drástica para o País. Já os que pretendem reformar de forma aprofundada o dito "modelo social", no sentido de introduzir elementos de escolha individual e liberdade institucional, social e económica são vistos como "radicais", alimentados por uma visão "utópica" para Portugal.
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