por
nuno galopim
Durante semanas, numa espécie de contagem decrescente até à meia-noite de sábado, a ansiedade tomou conta de milhões de leitores por todo o mundo. Do outro lado dos cadeados, fechados a sete chaves, e sob medidas de segurança nunca antes vistas no mundo dos livros, as 608 páginas de Harry Potter and the Half-Blood Prince esperavam a hora. Às 12 batidas da meia-noite, lojas de todo o mundo, cada uma a seu fuso horário, responderam ao desejo dos fiéis do pequeno aprendiz de feiticeiro que aguardaram horas a fio em filas de espera pelo direito a comprar o seu livro. Com expectativas de vendas na ordem dos dez milhões de exemplares nas primeiras 24 horas de vida, o sexto livro Harry Potter é já um dos maiores best-sellers de 2005.
"Deixei a minha filha em casa com uma cópia do livro", disse J.K. Rowling pela meia-noite de sábado num encontro com 70 admiradores escolhidos por passatempo no Castelo de Edimburgo, a cidade natal da escritora, assim eleita a capital mundial da "Pottermania" em 2005. E, para sossegar o sentido de justiça dos milhares de leitores que esperavam, a autora deixou então bem claro "Esta foi a primeira vez que a minha filha teve o livro nas mãos". E, aliviando também ela a tensão de quem escreveu e se prepara para ser avaliada uma vez mais, confessou: "Quando saí de casa, ela estava-se a rir com qualquer coisa que leu, o que é encorajador, como devem imaginar". J.K. Rowling sublinhou ainda que está "muito excitada com este livro" e que nele "há muitas respostas", esperando então que "todos o leiam".
Entre as respostas, está necessariamente a descoberta do nome do personagem que a autora decidiu "matar" neste sexto livro. Trata-se - bom, se não quiser saber pare aqui - de Dumbledore, o simpático decano de Hogwarths...
O livro foi publicado com duas capas, uma mais infantil, outra mais adulta. Ao fim do primeiro dia de vendas, a divisão de compras revelou 50 por cento para cada versão. Entre as grandes surpresas em volta deste lançamento conta-se ainda a aposta de uma empresa livreira britânica, em assegurar uma edição em braille em grandes quantidades, contrariando o cenário habitual, que geralmente obriga a meses de espera aos leitores invisuais.
Por todo o mundo houve invasões aos escaparates das livrarias, algumas com programas de entretenimento para acalmar a avalanche de leitores à espera da sua vez.
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