por
rui frias
Alvalade vai receber o primeiro clássico entre candidatos ao título da época 2005/2006, com um Sporting-Benfica "para deixar a cidade de Lisboa eufórica" - diria Luís Filipe Vieira no final -, logo à terceira jornada de uma Superliga que ontem viu o seu calendário definido. Mas mais do que o programa ditado pelas bolas da sorte no Casino da Figueira da Foz, era a anunciada redução de clubes nos campeonatos profissionais, a entrar em vigora já no final desta época, que preocupava a mente da maioria dos dirigentes dos 36 emblemas (Superliga e Liga de Honra) que se apresentaram a sorteio.
O regressado Valentim Loureiro, que falhara a apresentação dos campeonatos na época anterior devido às medidas de coacção no processo "Apito Dourado", lançou o mote na sua intervenção inicial. Reforçou a importância do fair play e de um consenso na matéria da arbitragem (ver texto ao lado), numa temporada "que promete ser ainda mais competitiva devido à redução dos campeonatos". A 7 de Maio do próximo ano, quando terminar a época 2005/2006, descem quatro clubes da Superliga e sobem apenas dois da Liga de Honra, enquanto desta cairão seis equipas na nova II Divisão Nacional (que faz subir apenas duas também para a Liga de Honra). Tudo para que em 2006/2007 as ligas profissionais tenham apenas 16 clubes.
Uma redução imposta há dois anos pelas esferas governamentais, adiada até ao limite pela Liga e que ainda não é bem recebida entre os clubes, pelo que se podia comprovar ontem nas conversas dos dirigentes. "Lamento que os clubes pequenos tenham votado de acordo com esta redução que só os prejudica", queixava-se o presidente do Paços de Ferreira, Hernâni Silva, numa voz crítica que ia subindo de tom. "Isto é para acabar com os pequenos de uma vez por todas. Se já tinham dificuldades financeiras, agora terão muitas mais. Só é bom para os grandes". Posição que recolhia grande capital de simpatia entre a maioria dos presentes. Eurico Vieira, chefe do departamento de futebol da estreante (na Superliga) Naval 1.º de Maio, recordava que "os grandes campeonatos da Europa têm 20 clubes e são os mais rentáveis", lamentado que os pequenos clubes "nunca sejam bem ouvidos nestes processos". António Oliveira lamentava ter chegado à presidência do Estrela da Amadora há apenas 18 meses, "se não tinha lutado contra isto", enquanto outro António Oliveira, mas do Penafiel, era mais irónico "O ideal era reduzirem para 12, assim podiam ir todos à Europa, pois é o limite [o 12.º lugar] para a inscrição na Taça Intertoto."
Mais a sério, o ex-seleccionador nacional dizia não compreender as razões invocadas para a redução. "Não me digam que é para aumentar a qualidade do espectáculo, pois não vejo em que é que o futebol possa melhorar com isso. As razões têm que ser mais fortes para se impor uma redução aos clubes. Há que explicar bem porquê e para quê", argumentava, deixando claro que o final da época vai custar muito a engolir para os sacrificados pela reformulação dos quadros competitivos.
SORTEIO. Depois de um Sporting--Benfica, o tal "para deixar Lisboa eufórica", na terceira jornada, a Superliga volta a assistir a um choque entre candidatos ao título na sétima ronda, Estádio do Dragão, com um FC Porto-Benfica.
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