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Muçulmanos britânicos alvo de ataques racistas

por

patrícia viegas  

Logo no dia dos atentados de Londres, reivindicados por grupos que dizem matar em nome do islão, vários líderes religiosos britânicos afirmaram recear que a co-munidade islâmica fosse alvo de represálias. E não demorou muito até começarem os ataques indiscriminados aos muçulmanos. Ocorreram mesmo antes de ter sido anunciado pelas autoridades que as acções terroristas de quinta-feira foram perpetradas por quatro britânicos de origem paquistanesa residentes na região de Leeds (no Norte de Inglaterra).

Na cidade de Nottingham um paquistanês foi morto. O incidente, registado no domingo, foi classificado como um crime racista pela polícia, que recusou estabelecer uma relação com os atentados do 7-J. Mas o presidente da Comissão Islâmica para os Direitos Humanos pensa que "a ligação é evidente". Massud Shadjareh conta que "os agressores [do indivíduo] gritavam 'Talibã! Talibã!' antes de o espancarem até à morte".

Após a confirmação do envolvimento de muçulmanos nascidos no Reino Unido nos ataques a situação agravou-se e a tensão instalou-se. Até agora, as autoridades britânicas já registaram cerca de 300 incidentes racistas contra edifícios islâmicos e membros da comunidade (ver gráfico), levando o primeiro-ministro Tony Blair a fazer vários apelos à calma e ao bom senso da sociedade britânica.

"Eu exijo a mesma resposta calma e controlada que caracterizou o país desde quinta-feira", declarou Blair perante os deputados na Câmara dos Comuns, numa sessão de perguntas e respostas. E sublinhou "Trata-se de um grupo de extremistas. Isso não pode ser ignorado, mas não pode definir os muçulmanos britânicos, que são membros honestos da nossa sociedade e respeitadores da lei. Nós condenamos, sem reservas, todas as agressões contra eles."

E essas agressões, explicou o porta-voz do Conselho Muçulmano da Grã-Bretanha à AFP, "vão desde tentativas de incêndio contra as mesquitas a falsos alarmes de bombas, passando por graffiti com graves insultos. O responsável precisou que, apesar de algumas agressões corporais, a maior parte delas são verbais. No sábado, em entrevista ao DN, Inayat Bunglawala confessou ter esperança que "os cidadãos britânicos saibam distinguir entre quem perpetrou aquelas atrocidades e os muçulmanos". Mas sublinhou "Nós sabemos que há elementos da extrema-direita, ligados ao Partido Nacional Britânico (BNP), que estão à espera de um pretexto para atingir os muçulmanos."


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