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Moção de Borges gera silêncio no PSD

por

paula Sá

susete francisco  

"Não conheço" ou "é uma novidade" foram as duas fórmulas airosas que alguns actuais e ex-dirigentes do PSD utilizaram para não comentarem o facto de o economista António Borges ser o primeiro subscritor de uma moção ao congresso extraordinário do partido, que se realiza em Abril. Apenas em off acabaram por revelar ao DN o que pensam sobre a moção surpresa "Trata-se de Borges, que nunca se candidatará neste momento em que o líder será a prazo, a posicionar-se para 2009, quando o PSD terá que disputar novamente o poder ao PS", afirmou uma fonte social-democrata.

Na sua opinião, os subscritores do documento - entre os quais, José Pedro Aguiar-Branco, Alexandre Relvas, Rui Rio, Leonor Beleza, Jorge Bleck e Alexandre Patrício Gouveia - tudo farão para se colocarem à margem de quase todos os que governaram o PSD e o País nos últimos anos. "Mantêm-se como uma 'bolha' de autonomia e de reserva crítica e, no futuro, quando resolverem realmente tomar conta do partido, ninguém os poderá acusar de se terem afastado", analisou outra fonte.

Barrosistas indesejados. Na noite de quinta-feira, na Grande Entrevista da RTP1, António Borges manifestou fortes reticências à "entrada" de barrosistas no grupo subscritor da moção que vai levar ao congresso. "Eu, pessoalmente, ainda não pus essa hipótese", afirmou, defendendo que há que "ter muito cuidado" com a adesão de figuras identificadas com o passado recente do partido.

Questionado sobre se nomes como José Luís Arnaut, Miguel Relvas ou Nuno Morais Sarmento são indesejados, enquanto apoiantes da moção, António Borges especificou que as pessoas que "pessoalmente" excluiria "são aquelas que se serviram do partido para atingir fins privados, mais do que qualquer outra coisa".

O economista escusou-se a apontar nomes, mas deixou desde já o aviso "Quando o problema se levantar cá estaremos para dizer que não." Por outro lado, António Borges duvida também do interesse dos "órfãos do barrosismo" em aderir à moção. Porque, explicou, "há aqui uma ideia de que o partido falhou, que o País tem razões de queixa".


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