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Metro do Porto terá sido utilizado para contrapartidas

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carlos rodrigues lima

helder robalo  

O Metro do Porto regressou ontem ao processo "Apito Dourado" com as inquirições dos autarcas Mário Almeida e Narciso Miranda, na qualidade de membros do conselho de administração da empresa, e de Oliveira Marques, presidente da comissão executiva. Em causa estão suspeitas do Ministério Público relacionadas com alegadas contrapartidas oferecidas por Valentim Loureiro, como presidente da empresa, a empresários ligados à construção civil.

Daí que a inquirição dos dois autarcas e do presidente da comissão executiva tenha sido realizada de modo a apurar qual o grau de participação e de conhecimento destes, como elementos da administração da empresa, nas situações consideradas suspeitas pelo Ministério Público (MP). Que, em suma, são essencialmente duas uma empreitada adjudicada ao empresário Alber- to Couto Alves, numa obra de requalificação da rotunda da Boavista e a promessa de adjudicação de obras do Metro que terá sido feita por Valentim Loureiro (presidente do conselho de administração da empresa, com mandato suspenso pelo tribunal de Gondomar) ao empresário Joaquim Camilo, a troco de um cheque de um milhão de euros para pagar salários ao Boavista.

Ontem, à saída da inquirição na Polícia Judiciária do Porto (PJ), o presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário Almeida, confirmou que um dos casos em investigação prende-se com a empreitada de requalificação da zona da rotunda da Boavista, no Porto. Aos jornalistas, Mário Almeida revelou que foi questionado se teria estado "presente numa reunião do conselho de administração que tem a ver com a empreitada envolvente à Casa da Música". Mário de Almeida esclareceu os inspectores da PJ que não esteve presente na referida reunião e, por isso, a inquirição foi breve. O autarca de Vila do Conde adiantou ainda que o processo em questão é "colateral ao 'Apito Dourado'", o que indicia que o MP já terá extraído certidões do inquérito principal e estas já estarão a correr termos.

Além das obras a cargo da Metro do Porto adjudicadas ao empresário Alberto Couto Alves, o presidente da comissão executiva - que se fez acompanhar de um advo-gado - terá sido ainda confrontado com eventuais adjudicações de obras ao empresário Joaquim Camilo, que mantém uma relação de proximidade com Valentim Loureiro. Oliveira Marques, ao que o DN apurou, terá sido ainda questionado sobre o papel e a influência de Valentim Loureiro na adjudicação de obras. Até porque, em intervenções processuais anteriores, o MP sustentou que "face à prova que o arguido tem o cargo máximo na referida sociedade (..), o acto de adjudicação de obras no metro do Porto se inscreve no âmbito dos poderes fácticos" de Valentim Loureiro.

A inquirição dos elementos da administração do Metro do Porto também poderá estar relacionada com o facto de Valentim Loureiro ter afirmado nada ter a ver com os processos de adjudicações e que estes eram da responsabilidade dos "júris dos concursos e da comissão executiva". O major chegou a afirmar que o conselho de administração "limita-se a ratificar as decisões da comissão executiva". Ora, sendo assim, o MP e a PJ poderão ter inquirido Narciso Miranda, Mário de Almeida e Oliveira Marques de modo a registar no inquérito a versão destes elementos do conselho de administração quanto à tramitação dos processos de adjudicação de obras feitas pela empresa.


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