por
filipe santos costa
O primeiro-ministro foi ontem confrontado com o facto de o programa do Governo recusar a redução dos impostos, mas ser omisso em relação ao seu eventual aumento. Na resposta aos jornalistas, José Sócrates reafirmou o que está escrito no documento do Governo - "não está previsto no programa nenhum aumento de impostos" -, mas nada esclareceu sobre o que não está escrito. A estratégia de Sócrates passa por deixar claro que o aumento de impostos, a existir, seria, não por opção própria, mas forçado pelas circunstâncias. Por outras palavras forçado pela "herança" do Governo PSD/CDS.
"Parece que há muita gente interessada em dar conselhos ao Governo, mas eu recomendo que leiam o meu programa. Recomendo a todos os jornalistas que leiam o programa. Não está previsto no programa nenhum aumento de impostos", frisou Sócrates.
Assim é. Nas páginas relativas à consolidação orçamental e política fiscal, apenas se pode ler que "o Governo recusa (...) as propostas irresponsáveis de baixa de impostos, que não só comprometeriam o combate ao défice como agravariam a degradação do funcionamento de serviços essenciais do Estado."
Sobre aumento de impostos, pelo contrário, nem uma linha. No entanto, esse cenário foi admitido pelo ministro das Finanças, Luís Campos e Cunha, logo no dia a seguir à divulgação do seu nome para o cargo. "É provável que nos primeiros tempos tenha que haver um aumento de impostos, veremos. Ainda não sabemos a situação exacta das finanças públicas. Dentro de um, dois meses posso responder de forma mais concreta. O aumento de impostos é de evitar, mas não podemos pôr de lado essa hipótese", afirmou à Rádio Renascença. E à TSF disse mesmo que a subida dos impostos, a médio prazo, é "praticamente inevitável".
Depois destas declarações, Campos e Cunha remeteu-se ao silêncio, mas as suas palavras não foram desmentidas por José Sócrates que, durante a campanha eleitoral, tinha assumido que essa era "uma das funções do Governo". Mais de uma semana depois das declarações de Campos e Cunha, o mesmo cenário foi de novo admitido pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Amaral Tomás.
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