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isabel lucasO Vaticano promove hoje em Roma um seminário para desmontar alegados "erros e distorções" existentes no romance esotérico de Dan Brown. "Não leiam nem comprem O Código Da Vinci", apelou ontem aos microfones da Rádio Vaticano o cardeal Tarcisio Bertone, arcebispo de Génova e um dos mais conhecidos guardiães da "pureza" da fé católica. Foi a este homem (ver caixa) que a Santa Sé entregou a "cruzada" contra o livro do escritor norte-americano, acusado de montar um "castelo de mentiras" e de obedecer a uma "intenção deliberada de desacreditar a Igreja Católica".
É o fim do silêncio da Igreja à volta de O Código Da Vinci, livro que já vendeu mais de 20 milhões de exemplares em todo o mundo e que é construído sobre alguns dos dogmas em que assenta o catolicismo. "Não se escreve um romance mistificando factos históricos, dizendo mal ou difamando uma personagem que tem o seu prestígio e a sua reputação na história da Igreja e da humanidade", acrescentou o cardeal Bertone, justificando esta posição do Vaticano, sobretudo, com a difusão que o livro está a ter junto dos mais jovens.
Protagonizado por Robert Langdon - um professor de simbologia com tiques de Harrison Ford em Indiana Jones que descobre que o Santo Graal não é uma taça mas um nome oculto de Maria Madalena -, o romance dá uma imagem negativa não apenas da Igreja Católica, mas, acima de tudo, da Opus Dei. Segundo a ficção de Dan Brown, Maria Madalena não terá sido uma prostituta, mas uma filha de reis e mulher de Jesus, com o qual terá tido uma filha. A sua missão era a de perpetuar a descendência de um profeta mortal que só viria a assumir um carácter divino graças a muitas manipulações.
Segundo o cardeal Bertone, Dan Brown criou um estereótipo que circula nas escolas, segundo o qual é preciso ler este livro para "compreender toda a dinâmica da história e todas as manipulações que a Igreja terá cometido". E acrescentou ainda "Apercebemo-nos da sua difusão junto das escolas e é por essa razão que decidimos tomar providências para abrir uma discussão pública."
Apontado pelo jornal britânico The Times como um dos candidatos à sucessão de João Paulo II, o Arcebispo de Génova, de 70 anos, acusa ainda o livro de se assemelhar aos "panfletos anticlericais do século XIX".
Por sua vez, o autor de O Código Da Vinci, sublinhou no seu site (www.danbrown.com) que este livro é um romance e que, como tal, a sua matéria é a ficção, além de que não terá pretendido escrever uma obra anticristã. Mais Dan Brown diz ter-se esforçado por fazer "uma descrição o mais equilibrada possível da Opus Dei". O argumento não convenceu a Igreja.
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