D. Januário Torgal Ferreira, bispo das Forças Armadas, recusa pronunciar-se sobre as declarações do arcebispo de Génova, por delas não ter conhecimento directo, interrogando-se antes sobre "a cultura dos nossos dias, do efémero e do esotérico, de que o grande êxito deste livro é um sintoma importante". Clarifica "Tudo isto deve ser lido como um grande pedido de diálogo de uma sociedade que deve estar muito doente. Porque nela se recorre à ficção, a crendices e bruxarias que são verdadeiros negócios. Qualquer coisa está em perigo no domínio psicológico." Este fenómeno avassalador seria assim "um sintoma de busca e insatisfação". "Talvez uma sociedade que tanto culto prestou ao positivismo tenha ficado cansada com o progresso visível, experimental, fundamentado, com tanto cientismo dogmático e se vire agora para o invisível."
D. Januário critica o "ludíbrio" em que se cai facilmente. "Quando vejo tantos turistas chegarem à Igreja de Saint-Sulpice ou andarem por Paris em busca dos sinais falsos do livro, ponho as mãos na cabeça. O que vale a pena é reflectir sobre o que leva as pessoas a correrem atrás de coisas que não são mais do que o transcendente em travesti."
Poeta, ensaísta e professor, Alberto Pimenta, observando-nos que "o Vaticano segue normalmente a doutrina de Lucas (18-20, 22)", cita " 20 -'Sabes os mandamentos: Não adulterarás, Não matarás, Não furtarás, Não dirás falso testemunho, Honra o teu pai e a tua mãe'. 21 - 'E disse ele: Todas essas coisas tenho observado desde a minha mocidade'." E comenta: "Ou seja, refuta o que acha que é falso testemunho. Regressando a Lucas, o texto continua. 22 - 'E quando Jesus ouviu isto, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa: vende tudo quanto tens, reparte-o pelos pobres e terás um tesouro no céu; vem e segue-me.' É só o que falta ao Vaticano para ter um tesouro no céu. Mas parece que lhe interessa é o tesouro na terra. O do Padre Amaro chamava-se Amélia. Quanto ao Priorado de Sião, omite-se quase sempre (infelizmente) o nome de um dos seus mais notáveis membros: o marquês de Sade. Veja-se o papel que desempenhou no atear da Revolução Francesa, que pôs o descendente de S. Luís no lugar do grão-mestre Molay. Guilhotina por fogueira. Garganta, claro, a sede da palavra, do Verbo."
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