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Um ano de espera para as consultas de oftalmologia

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R. A.  

A espera por uma consulta de oftalmologia num hospital SA pode prolongar-se por um ano. Segundo o presidente da Unidade de Missão, as especialidades de oftalmologia, dermatologia e urologia são responsáveis pelas maiores listas de espera nas consultas externas e, para estas, vão ser criados este ano critérios para definir prioridades de atendimento dos utentes.

Estes longos períodos de espera, admite, não fazem parte dos registos centrais do ministério. "Se formos ver os registo do IGIF, esses tempos não constam, porque a prática administrativa de todos os hospitais - quer os SA, quer os SPA - é a de só registar os pedidos de consulta no mês em que são efectuados", diz Pedroso Lima.

"Como os centros de saúde não têm especialistas nestas áreas, há consultas marcadas nos hospitais só para o simples receituário médico. E não é justo que estas situações tenham prioridade em relação a uma operação às cataratas ou a outras situações graves. Hoje não conseguimos discriminar estas situações", refere. Para mudar a situação, a Unidade de Missão "vai propor ao médicos que estabeleçam critérios clínicos" de forma a permitir dar prioridade a determinados doentes. "Estamos a estudar várias soluções, que podem passar por dar condições aos centros de saúde para atenderem os casos mais simples, o que poderá passar pela contratualização com entidades privadas".

despesas inúteis. Outra das áreas que Pedroso Lima afirma ser necessário melhorar é a da codificação dos actos médicos praticados nos hospitais. "Há um médico codificador responsável por catalogar as terapêuticas e actos praticados pelos serviços, com base num código internacional", explica, acrescentando que, por ano, os SA gastam três milhões de euros com este processo. É desta forma que se chega aos grupos de diagnóstico homogéneos (GDH), que servem de base para facturar a produção dos hospitais. O problema, diz, é que "40% desta codificação é feita de forma errada". "Gastam-se 600 mil contos numa codificação que está errada em 40% dos casos, só para se poder facturar, até porque não se conhecem estudos de morbilidade nos hospitais que aproveitem esta informação". Por isso, refere, poderão ser os próprios médicos a assumir esta tarefa no futuro.


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