por
diogo sousa
Em noite de eleições a estação de televisão pública venceu a guerra das audiências. A RTP1 conseguiu 13,3 por cento de audiência média e arrecadou a vitória para a mais longa transmissão das legislativas - cinco horas e meia. A estação de Carnaxide foi a derrotada ficando-se pelos 8,3 por cento de audiência média enquanto a TVI, que celebrou até às 20.00 o seu aniversário, manteve uma transmissão com poucas oscilações de audiência, e garantiu 10,5 por cento de audiência médio.
Com um discurso institucional, a RTP1 assumiu desde o início da sua transmissão, às 19.00, a liderança. A apresentação dos resultados das sondagens realizadas à boca das urnas pelos três canais, às 20.00, fez disparar as audiências mas não veio alterar uma tendência que se manteve ao longo do resto das emissões.
Numa noite sem surpresas o painel de convidados do canal público, onde figuraram Marcelo Rebelo de Sousa, António Barreto e António Mega Ferreira, revelou-se a peça chave na estratégia da RTP1. O domínio do canal público apenas foi ameaçado pela TVI entre as 21.00 e as 21.20. As declarações do socialista António Vitorino, que a estação de Queluz foi a única a dar em directo, a actualização dos resultados nacionais e o contraste entre as sedes de campanha dos principais partidos garantiram à TVI os seu melhor momento da noite.
A SIC apenas conseguiu aproximar-se dos canais rivais durante os intervalos publicitários da RTP. Com excepção para o momento alto da transmissão da estação de Carnaxide, protagonizado pela reacção do social democrata Marques Mendes, antes das 22.00, o canal ficou sempre muitos pontos percentuais atrás dos outros dois canais. Curiosamente, os intervalos do canal público não provocaram alterações nas audiências da TVI. A relação inversa também não se verificou.
Com a aproximação do fim do horário nobre foi a demissão de Paulo Portas, pouco depois das 23 horas, que travou a descida previsível das audiências. O discurso do candidato do CDS/PP desencadeou uma curva ascendente que cessou com a intervenção de Santana Lopes. O vencedor da noite, José Socrates foi o líder partidário menos visto pelos telespectadores, dada a hora tardia. A intervenção do líder do bloco de esquerda, Francisco Louçã, ainda no início da noite, garantiu-lhe a maior exposição de todos os candidatos. O discurso de vitória só chegou aos espectadores mais resistentes.
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