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A nova "confiança"

por

luciano

amaral  

De acordo com os resultados, o PS obtém a maioria absoluta, o PSD sofre uma derrota significativa, o CDS uma derrota menor e os dois pequenos partidos de esquerda uma vitória incompleta. Que inferências se podem formular?

1. O PSD tiraria a conclusão errada destes resultados interpretando-os apenas como um castigo a Santana. A penalização dirige-se à totalidade da governação. Em primeiro lugar, à austeridade dos dois primeiros anos. Em segundo, à austeridade traída pela famosa "fuga para Bruxelas" de Barroso e pelo último Orçamento do Estado. Os dois acontecimentos significaram a maior traição às dificuldades que foram pedidas nos dois primeiros anos. Mas os resultados penalizam também a incapacidade do PSD para oferecer um programa coerente de superação dos problemas estruturais do País. As questões das finanças públicas e do crescimento económico vão continuar a marcar os próximos anos e o PSD não soube dizer (talvez porque não saiba mesmo) como os vencer.

2. O PS baseou a sua campanha na negação de dificuldades que não pudessem ser vencidas por mais "confiança" e "esperança" dos portugueses. Desta forma, o PS arrisca-se a ficar prisioneiro da sua própria mensagem. Convém lembrar que as dificuldades com as contas públicas e o abrandamento do crescimento económico começaram no último ano de governo de Guterres. Se, ao chegarmos ao fim do primeiro ou segundo ano sob Sócrates, as dificuldades orçamentais persistirem (como é previsível), o PS terá de inverter a lógica do mandato para o qual foi eleito. Se a impopularidade for muita e as presidenciais colocarem em Belém um candidato de outra cor política, podemos assistir a um confronto entre as duas sedes de soberania, com reflexos importantes para o futuro do sistema político.

3. Os resultados oferecem o paradoxo de um aumento do voto de protesto (na CDU e no BE), numa altura em que ele vai ser mais ineficaz. Estes partidos não irão conseguir afectar a governação do PS, baseada na maioria absoluta. Mas são um sinal a que todos os protagonistas políticos deveriam prestar atenção. O mandato do PS é claro, mas as franjas aumentam. Falhando o mandato do PS, estão criadas as condições para soluções posteriores mais atípicas.

4. Falhando o mandato do PS torna-se também muitíssimo importante o resultado das eleições presidenciais. O futuro Presidente poderá, precisamente, ser um dos agentes dessas soluções atípicas. A história ainda agora começou.


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