por
l. l.
Os 2800 casais que, há anos, aguardam adoptar uma criança poderão ter agora mais esperanças de concretização. Segundo Maria José Nogueira Pinto, as agências internacionais de mediação vão facilitar a ida de crianças portuguesas para o estrangeiro e vice-versa, explicando que caberá à Segurança Social assegurar a legalidade de todos os trâmites.
De acordo com a provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, o trabalho destas agências de mediação em matéria de adopção internacional está bastante desenvolvido em toda a Europa, nomeadamente em Espanha, onde já é possível aos casais candidatarem--se via Internet, através da qual seguem depois o evoluir do processo de adopção. "Em Portugal não podemos ficar nos arcaísmos", frisou a provedora.
Luís Villas-Boas lembrou, por seu lado, que a lei portuguesa permite a adopção de uma criança por casais estrangeiros apenas quando estiverem esgotadas todas as possibilidades em território nacional. "Conta-se pelos dedos de uma mão o número de crianças que saíram do País nos últimos anos", disse o presidente da comissão que acompanha a aplicação da nova lei da adopção.
Resultado para os casais estrangeiros ficarão disponíveis as que os portugueses não querem, ou seja, as crianças mais velhas, as de cor e as que sofrem de alguma doença. Em contrapartida, os portugueses poderão agora procurar com mais facilidade adopções nos países de Leste, onde abundam "bebés perfeitos" e com características "bem europeias".
Independentemente da crueza das imagens e das palavras, o certo é que se abrem novas perspectivas para os casais portugueses que "(des)esperam (por) um filho". A nova lei da adopção estaria preparada, se fosse aplicada, para que um processo de candidatura ficasse pronto em seis meses. Neste momento isso ainda não é possível. Mas o mais grave, segundo Luís Villas-Boas, é o facto de não estarem criadas as condições para se saber ao certo quantas crianças adoptáveis existem em Portugal e, além de mais, verificar-se ainda a carência uma base de dados oficial onde constem os casais candidatos. Neste cenário, será difícil para as agências internacionais actuarem em Portugal. De todos os modos, há uma nova janela aberta para os casais portugueses, supondo-se que aquelas agências poderão ser mais eficazes que as instituições lusas.
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