por
martim silva
O PS anda em busca da onda. E ontem foi à procura dela nos passeios de rua em Guimarães e Barcelos, com o líder do partido a ser recebido em festa pelos militantes locais. Iniciativas em que a mobilização partidária apostou forte, conseguindo momentos que resultam do ponto de vista mediático, com o líder do partido de ar satisfeito a caminhar rodeado de muitas dezenas de pessoas, bandeiras e gritos de incentivo. Na cidade em que Portugal foi fundado, Sócrates acabou o passeio empoleirando-se num carro, para, de microfone em punho, dizer que "a campanha do PS está a encher todos os dias".
Estava-se no contacto com o povo. Antes fora a vez dos empresários, num almoço numa pousada nos arredores de Guimarães. Aí, Sócrates repetiu o seu tradicional discurso de campanha, bem oleado e estruturado. Começou por dizer, noutras palavras, que, no poder, pretende fazer fazer terapia e colocar Portugal no divã. "Mais que a mudança da cor política do Governo, a minha ambição é que [a partir de 20 de Fevereiro] se dê uma mudança na atitude psicológica do País. Não vamos a lado nenhum com esta descrença. E confiança é a palavra chave."
Daqui partiu Sócrates para explicar à assistência como conta inverter este clima geral da Nação. "Orientação, rumo e estratégia", no Executivo, "um bom governo para executar o rumo traçado", para o qual é preciso "ser mais ambicioso com as pessoas que formam o Governo" e, além disso "não passar a vida a fazer ajustes com o passado". Ou, de outra forma, uma "atitude com mais classe e uma atitude própria de uma democracia madura". Sentido de Estado, numa frase.
Neste encontro, falou ainda o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, o socialista Joaquim Magalhães, e também um empresário local. Que, como é costume e típico, disse logo que "são precisos mais incentivos da Comunidade Europeia". A tradicional mentalidade subsídio-dependente que grassa por Portugal, aqui exposta no seu melhor, por um empresário de sucesso.
Voltemos ao povo. Ao povo socialista. Sócrates desceu da Pousada de Santa Marinha da Costa para o meio das ruas, rodeado por muita gente, mas que não aparentava qualquer sinal de indecisão no sentido de voto (ali estavam os indefectíveis dos indefectíveis). Apertado, esmagado, beijado e cumprimentado - José Lello atirava-o para os braços de todas as mulheres que passavam -, Sócrates sorria, mas deixava escapar "quem me dera poder tirar a gravata".
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