por
s USETE FRANCISCO
O CDS/PP também tem um "choque" para propor aos portugueses. Depois do choque tecnológico (do PS) e de gestão (do PSD), ontem foi a vez de Paulo Portas defender que o País precisa de um "choque de valores". "A sociedade portuguesa precisa de valorizar referências, há uma espécie de relativismo ético que não abona ao estado do País", defendeu o líder popular, após a apresentação do programa eleitoral do CDS, ontem, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Um "choque" que, a julgar pelo discurso democrata-cristão, é também aplicável aos partidos políticos - excepção feita ao CDS, que Portas voltou a afirmar como um garante de estabilidade, responsabilidade e valores. Em clara oposição a outros, leia-se PS e PSD. "Quanto mais os partidos parecem exaltados, mais os eleitores ficarão preocupados", referiu o líder do CDS, reforçando que "quanto mais a campanha for feita de episódios irrelevantes, mais o CDS deve defender as suas ideias". Para não deixar dúvidas "Quanto mais os partidos parecerem ao eleitorado um problema, mais o CDS deve mostrar que é parte da solução."
Assumindo um discurso claramente dirigido à classe média, onde pretende disputar votos ao PS e PSD, Portas foi também buscar uma das principais bandeiras do partido para chamar a si o eleitorado do centro-direita - afirmando o CDS como único partido que garante uma intransigente defesa do direito à vida. E como até o PSD fica excluído ("não tem posição oficial, espero que a maioria seja contra", disse Portas), o líder dos populares deixou o apelo ao voto de todos aqueles que não querem ver alterada a actual lei. "Os eleitores têm no CDS uma garantia que mais ninguém pode dar. Que votaremos, disciplinadamente, contra a liberalização do aborto", sublinhou. Declarações que surgem dias depois de Santana Lopes ter afirmado o PSD como um partido pró-vida.
Prioridades. Educação, Saúde, Segurança Social, Economia e Ambiente são as áreas de aposta do programa dos populares para a próxima legislatura. Mas a "prioridade das prioridades", como a definiu José Ribeiro Castro (responsável pela pasta na "equipa de Governo" do CDS), é a Educação - os populares querem ver este sector como a "paixão de toda a sociedade portuguesa". Estabilidade, autonomia e avaliação são as palavras-chave - neste último ponto, Portas defendeu uma avaliação do sistema educativo "pelo índice de empregabilidade das escolas". Os manuais escolares são outro ponto de aposta do programa dos populares, que defendem livros escolares reutilizáveis e em vigor por um período de seis anos.
Apesar das cinco áreas prioritárias terem merecido a intervenção dos respectivos "ministros" do CDS, Portas fez questão de abordar, num discurso de mais de uma hora, grande parte do programa. Se a educação é um "investimento", defendeu, a economia é uma "urgência" - e um dos imperativos é que o Estado recue "na apropriação de recursos". "Há socialismo a mais na economia", argumentou o líder popular, exemplificando com os 48% da riqueza que o Estado absorve.
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