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Sócrates garante não reeditar discurso da tanga

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maria henrique espada *  

"Não vai haver uma tanga II. Basta o que basta" a garantia foi de José Sócrates, ontem, em Bruxelas, sobre a postura dos socialistas após 20 de Fevereiro, caso venham a formar Governo. Mas, apesar de considerar que o discurso da tanga foi "muito prejudicial ao País", Sócrates insistiu na necessidade de uma auditoria independente às contas públicas, se vencer as eleições, para fazer uma "avaliação rigorosa" às contas públicas. Mas sem tanga: "Não vamos dramatizar, como foi feito no passado."

Sócrates aproveitou ainda para comentar os 10,1% de agravamento do défice orçamental do subsector do Estado em 2004, ontem divulgados pela Direcção-Geral do Orçamento. Para considerar que este número veio "revelar o falhanço no controlo das contas públicas nos últimos tempos. O falhanço total".

O líder socialista esteve ontem em Bruxelas, onde foi recebido pelo presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e manteve contactos com o grupo parlamentar socialista no Parlamento Europeu e com emigrantes portugueses.

Durão Barroso também não escapou às críticas. O secretário-geral do PS criticou o ex-primeiro-ministro por ter descoberto a Estratégia de Lisboa já no seu novo posto "Durão Barroso só quando chegou a presidente da Comissão Europeia percebeu a importância que esta tem para a Europa. Portugal andou a arrastar os pés, com políticas públicas negativas em matéria de conhecimento, educação, ciência e cultura." Até esse momento, "nunca se tinha ouvido Durão Barroso falar da Estratégia de Lisboa como agora". Já "em Lisboa, essas referências não eram tão frequentes", ironizou.

Sócrates voltou ainda a criticar Durão por ter trocado Lisboa por Bruxelas "O facto de o presidente da Comissão Europeia ser português ajuda Portugal porque é sensível em relação aos problemas e perspectivas portuguesas, mas não acho que tenha sido bom ter aceite o lugar." O candidato a primeiro-ministro explicou que o projecto europeu será "a prioridade do Governo socialista na política externa", definindo três eixos: a Estratégia de Lisboa, a revisão do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) e as negociações das perspectivas financeiras para o período entre 2007 e 2013. Sócrates quer um PEC com revisões plurianuais, que permita corrigir políticas económicas excessivas.


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