Eles falam, falam, falam mas eu não vejo frio nenhum. Ou melhor, vejo. Há dois dias que eu e os meus filhos saímos de casa soterrados em camisolas, cachecóis e sobretudos. Mas o frio, como testemunhava uma espectadora no Opinião Pública, da SIC Notícias, é que ainda não se viu. A TVI foi ao Algarve e filmou, com espanto, um "bife" de calções, como se ainda estivéssemos nos dias do Euro 2004. Em Vila Real, o povo que fala declara perante as câmaras que ficou assustado com as notícias. E o repórter Luís Marçal, da SIC, andou de noite nas ruas do Porto, para concluir que o frio "não é tão polar como se pensava".
É assim a vida, não se pode ter tudo. Não podemos ter ao mesmo tempo o dia mais triste e o dia mais frio. A imagem de satélite da massa de ar gelada ameaçando o país como um tsunami atmosférico até podia ser vista nas televisões que agora há no metro da capital. Mas a intensidade do alerta mediático gerou expectativas exageradas. As pessoas até se convenceram de que estava frio, obedecendo ao poder de sugestão da TV. Mas o frio real não é comparável ao frio virtual que os pivôs anunciaram.
Não é a primeira vez que uma coisa assim acontece. Lembro os avisos da iminência de tempestades furiosas e ventos ciclónicos inclementes de outros Invernos. Em todos estes casos, a televisão desmultiplica-se em procedimentos repetitivos histórias sobre os dispositivos de segurança, as inevitáveis reportagens sobre os sem-abrigo ou a corrida aos aquecedores e assim por diante. Os repórteres partem em busca da crise anunciada, encontram populares à espera da crise anunciada. Mas acabam a noticiar a reacção às expectativas geradas pelos media e não a realidade...
A televisão não é a única culpada, longe disso. Os alertas anticatástrofe natural em Portugal também são exagerados porque a própria Protecção Civil tem pavor de ser condenada pelos media no caso de não alertar as populações a tempo. É sempre a mediatização, mas o processo é subtil e já levou à invenção de um maremoto virtual, por causa de uma ilusão de óptica que é familiar a qualquer veraneante. O poder da agenda mediática assusta os próprios poderes públicos.
O problema é que desde domingo os telejornais andam a insistir mais no frio virtual do que na própria realidade do dia-a-dia. Um exemplo do poder perverso da agenda é ter-se sabido ontem que o número de vítimas da tragédia na Ásia é bem superior aos 200 mil. Mas o tempo da comoção passou e as vítimas tornaram-se notícia secundária.
UE impõe condições para Grécia obter resgate
1500 polícias desistem da farda em três anos
Cinco agências de publicidade na corrida à Galp
Ritmo de reformas na CGA está a abrandar
2011 foi o segundo melhor ano para sapatos portugueses
"Somos portugueses, mas não somos baratinhos"
O homem que recusou saudar os nazis
Príncipe Harry coroado "Top Gun"
Souza no Grémio é desilusão para os adeptos do Vasco
Senhorio obrigado a realojar em caso de obras
Mulher obrigava mãe de 77 anos a viver fechada na garagem
Vila do Conde: Câmara dá tolerância aos funcionários no Carnaval
Santana para Rosas: "Salazar é a sua tia!"
80 mil abortos 'por opção' desde 2007, 13 mil reincidentes
Gestores da TAP, RTP e CGD escapam a tetos salariais
Schulz justifica-se em português no Twitter
Ahmadinejad convida Bento XVI a visitar o Irão
Se Passos não vem à AR "alguma coisa quer esconder"
Ajustamento do plano de ajuda financeira a Portugal é inevitável?
Feira do Livro
Guia Indispensável do Emprego
O número de leitores do DN aumentou 27%
Todas as Iniciativas DN