por
maria henrique espada
Finalmente, o programa eleitoral com o documento em punho, José Sócrates garantiu que nele empenha a sua palavra. A Convenção das Novas Fronteiras serviu ontem de palco para a apresentação, pelo líder do PS, das principais bandeiras com que o partido se apresentará em campanha, como título de "bases programáticas". Mas, à excepção do slogan de que a escolha é entre a "continuidade e a mudança" e de algumas medidas concretas no âmbito do plano tecnológico, a maior parte das propostas ontem formalizadas eram já conhecidas.
A saber, os 150 mil empregos a recuperar, o combate à pobreza, sobretudo entre os idosos abaixo do limiar da pobreza, o plano tecnológico e o combate à burocracia. De novo, a proposta de redução da administração pública. Aqui, uma coisa resultou clara da apresentação do programa do PS os novos empregos não serão criados na função pública, mas ficarão a cargo do sector privado e do crescimento da economia que se propõe alcançar. Porque, ao nível da administração pública, surgiu o compromisso de reduzir o número de funcionários, no prazo da legislatura, em 75 mil. O método foi também anunciado. Passa por apenas permitir a entrada de um funcionário público por cada dois que saírem, em função das normais aposentações. Ou seja, O PS propõe-se "reduzir o peso da administração pública, mas também rejuvenescer e qualificar", sem recorrer a despedimentos.
Esta foi a novidade. As bandeiras, essas, foram sociais emprego e pobreza. "Para nós, um desempregado é mais que um algarismo numa estatística": a frase, a fazer lembrar o cartaz guterrista de que os portugueses não são números", serviu a Sócrates para ilustrar a opção por fazer do "emprego uma prioridade na política económica de Portugal". O líder voltou a reiterar, no Centro de Congressos do Estoril, o compromisso de "recupera em quatro anos os postos de trabalho que este Governo perdeu". E responsabilizou directamente o Executivo pelo aumento do desemprego: "há três anos que Portugal não para de perder empregos, e isso não resulta apenas da conjuntura internacional. São os desempregados do Dr. Santana Lopes e do Dr. Paulo Portas."
No léxico de campanha entrou também a palavra "pobreza" como prioridade política, com o compromisso de "retirar da pobreza 300 mil idosos". Duas apostas claramente "sociais" do líder.
Ao nível das propostas concretas, Sócrates avançou alguns detalhes do plano tecnológico, a receita socialista para fazer Portugal regressar ao crescimento económico. A saber, mais um compromisso, o de reduzir para metade o abandono escolar que "envergonha" o País, duplicar a frequência dos cursos técnicos e profissionais, reforçar o ensino de inglês, duplicar o investimento em investigação, e pôr em prática um plano de colocação de jovens licenciados na área das tecnologias em pequenas e médias empresas. A Internet é outra aposta. Sócrates quer generalizar o seu acesso e baixar os preços da banda larga para níveis "mais competitivos" a nível europeu. E ainda criar 200 novas empresas de base tecnológica.
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