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Portas causa incómodo no PSD

por

Filipe Santos Costa Francisco Almeida Leite

Susete francisco  

As declarações de Paulo Portas, no debate da SIC Notícias com Francisco Louçã, causaram incómodo no PSD. Vários dirigentes sociais- -democratas não gostaram de ouvir o líder do CDS falar implicitamente sobre um cenário de vitória do PS nas próximas eleições legislativas.

Helena Lopes da Costa, vice- -presidente do PSD, disse ontem ao DN não ter visto o debate, mas afirmou que as palavras de Portas constituem uma "declaração surpreendente". "O cenário em que estamos a trabalhar é de vitória do PSD, e não outro. Não estou a ver o dr. Portas a viabilizar um Governo do eng. Sócrates", referiu a dirigente social-democrata. Um membro da Comissão Política comentou assim as afirmações de Portas "Não me surpreende, eu sempre disse que isto podia acontecer."

Comentando a hipótese levantada pelo presidente do CDS, que admitiu entendimentos com o PS nas áreas de política externa e defesa, outro vice-presidente laranja sublinhou que "a questão é saber se o dr. Portas também viabiliza outras propostas, como o Orçamento do Estado". Para este social-democrata, "isso seria a ruptura do acordo pré-eleitoral, que estipula quais são as matérias em que os dois partidos não podem viabilizar propostas de outros. Se for só defesa e política externa, não é grave, porque são áreas tradicionais de consenso entre os três partidos".

portas dixit. No debate da SIC Notícias, na noite de quinta-feira, Portas admitiu acordos com os socialistas em "valores fundamentais" como a política externa ou a defesa. Mas a disponibilidade dos democratas-cristãos para entendimentos com o PS não se limita a estas áreas. Ontem, em entrevista à revista Sábado, o vice-presidente do partido, António Pires de Lima, assegurou que o CDS poderá viabilizar, no cenário de uma maioria relativa do PS, "determinado tipo de reformas". Em áreas como a "justiça, a revisão constitucional, o saneamento das contas públicas e a reforma da administração pública". Sectores a que outros democratas-cristãos contactados pelo DN juntaram a saúde, a educação ou a Segurança Social - mesmo garantindo que eventuais acordos serão sempre pontuais.

Ao DN, Pires de Lima garantiu que o CDS "não será suporte de um Governo socialista", mas referiu também que os populares não farão "oposição destrutiva". "Somos um partido responsável. Se o PS amanhã for Governo e apresentar propostas que sejam úteis ao País, não adoptaremos uma posição de bota--abaixo. Cada proposta deve ser avaliada em função da sua bondade", sublinhou.


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