por
a. r.
«A Igreja [Católica] propõe a sua doutrina, faz campanhas, bate-se pelas suas ideias, mas não pode impô-las à sociedade. Além disso, não somos nós que decidimos, não é a Igreja que decide. Quem decide é o poder laico.»
Foi desta forma, subtil mas suficientemente esclarecedora, que um elemento da Conferência Episcopal Portuguesa reagiu, quando o DN o confrontou com o cenário de Portugal poder - um dia - vir a legalizar o casamento civil entre homossexuais. À semelhança do que sucedeu com a Holanda em 2001 e com a Bélgica em 2003 e do que deverá agora suceder em Espanha.
Um cenário que a Igreja Católica não hesita em condenar, como se constata no documento que foi emitido pela Santa Sé, em Junho de 2003, e que está assinado pelo cardeal Ratzinger - Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais.
Uma tese que os socialistas espanhóis preferiram ignorar, avançando, como tinham prometido durante a campanha eleitoral, com uma proposta em sentido contrário, repetindo o que, antes deles, outro Estado predominante católico - como é a Bélgica - também fizera.
Subtilezas. O que, em termos práticos, poderá indiciar que a Igreja Católica estará sempre na primeira linha do combate a qualquer tentativa de legalização do casamento civil entre homossexuais em Portugal, evitando, contudo, qualquer ruptura com o poder laico. Isto é, com o Estado ou com as suas instituições.
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