por
elsa costa e silva
O primeiro troço daquela que será a «auto-estrada da água» em Portugal foi ontem lançada na Maia. Destinada a unir a rede das Águas do Douro e Paiva (AdDP) à do Cávado, esta obra inaugura uma nova filosofia de abastecimento à população a solidariedade entre sistemas que entra em funcionamento em caso de emergência que interrompa o fornecimento numa fonte. Assim, depois desta primeira interligação, o projecto segue, faseado, até que a rede que abasteça o Minho esteja, por exemplo, unida à da Península de Setúbal.
As redes nacionais de abastecimento, explicou o presidente das Águas de Portugal, e também da empresa AdDP, Poças Martins, «têm uma dimensão semelhante à da rede viária». Mas, enquanto esta criou uma malha no País, os sistemas de água «nasceram de costas voltados uns para outros». Fazê-los dialogar é a resposta para o problema da origem alternativa que se coloca em caso de algum imprevisto (por exemplo, num rio) obrigar à interrupção do fornecimento de água. É que, adiantou Poças Martins, se cada rede procurasse uma solução de forma autónoma, os custos iriam aumentar de forma bastante expressiva.
Esta estratégia tem a vantagem de apresentar custos muito mais reduzidos. Por outro lado, por serem obras que serão amortizadas ao longo de décadas ou por já fazerem parte dos planos de investimento das empresas de abastecimento, não vão sentir-se na sua saúde financeira de forma significativa. No global, assegura Poças Martins, os custos deste investimento terão repercussões de apenas 1 a 2% na tarifa a ser cobrada ao consumidor final.
Assim, ligando sistemas vizinhos, estes poderão actuar em caso de falhas. Trata-se de avançar para um novo patamar «O da confiança e da fiabilidade, para responder às exigências crescentes dos consumidores». O projecto da «auto-estrada» da água inclui ainda ligar as Águas do Cávado ao sistema que abastece a zona de Viana do Castelo. Depois serão as AdDP a unir-se ao sistema de Aveiro, este a Coimbra e este a Leiria. A rede já está unida à Empresa Portuguesa das Águas e segue-se também a interligação entre Lisboa e a Península de Setúbal. Estudos ainda em curso avaliam a possibilidade de ligação ao litoral alentejano e ao Algarve.
As populações passarão assim, dentro de uma década, a estar servidas por uma rede de «abastecimento de água em contínuo». Não se trata, fez questão de salientar o presidente da Águas de Portugal, de «transvases ou de mexer nos recursos hídricos».
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