Já sei, por saber, que não faltarão as toleimas do costume, mas tenho para mim, cada vez com maior convicção, pela natureza semelhante dos ditos e reditos, que Santana tem algo em comum com Bush é objecto do mesmo ódio militante, com base no mesmo tipo de questões laterais, que o Presidente americano. Só que, sendo um país pequeno e quase sempre exagerado, não temos apenas um Michael Moore, mas muitos, e piores. Seria curioso, e interessante, comparar o que se escreve e diz de Bush e Santana. Parecem gémeos. Nunca nenhum Presidente americano - só talvez Reagan - foi tão atacado, ridicularizado, humilhado e fustigado e, no entanto, para espanto desses tarots, os americanos reelegeram-no. É óbvio que teve quatro anos de mandato, e essa diferença pode ser decisiva, uma vez que nos EUA não se demite um Presidente, ou dissolve um Congresso, porque alguém acorda maldisposto. Mas se der muito trabalho comparar com Bush, que tal fazer o mesmo exercício com o que se dizia de Cavaco quando iniciou as funções de primeiro-ministro, ou quando foi eleito líder do PSD? As frases, as piadas, os ataques e a constante tentativa de destruição são fotocópias, mal tiradas, do que então se dizia, e por alguns que ainda hoje escrevem as mesmas coisas. A questão, tal como se colocou nos EUA, é saber se a opinião publicada coincide com a opinião pública, no momento decisivo. A dois meses das eleições, Bush estava 10 a 15 pontos atrás de Kerry e a euforia transbordava. Cautela, sugere-se.
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