Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


tema

Contratar o privado sai mais barato?

por

fernanda câncio  

É possível que efectuar abortos no sector privado a cargo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), medida anunciada ontem pelo ministro Correia de Campos para fazer face àquilo que considera o incumprimento da lei da interrupção da gravidez pelos hospitais, saia mais barato ao Estado que realizá-los nos hospitais.

Parece ser essa a conclusão a que se chegou em Espanha, exemplo que foi aliás citado pelo ministro nas suas declarações ao DN, onde várias comunidades autónomas contrataram esse serviço com clínicas privadas. E é tambem a opinião de um médico que realiza abortos ilegais numa clínica lisboeta. "Os recursos mobilizados num hospital para esse tipo de intervenção são muito maiores. Geralmente há internamento, e recorre-se a anestesia geral em vez de uma anestesia mais leve, de ambulatório. Uma estrutura mais simples permite baixar o preço."

Para este ginecologista, o preço de um aborto até às 12 semanas contratado pelo Estado seria certamente mais baixo que o preço pago pelas portuguesas que vão abortar nas clínicas espanholas da fronteira (cerca de 400 euros). Na Grã-Bretanha, onde uma parte substancial dos abortos são realizados no privado com contrato estatal, a Fundação Mary Stopes International, que pratica anualmente 60 mil abortos, dos quais 60% pagos pelos serviços regionais de saúde, cobra uma média de 400 libras (600 euros) por acto.

O DN tentou obter da parte do Ministério da Saúde esclarecimentos sobre a concretização da medida, nomeadamente sobre o seu custo e o momento da sua passagem à prática, mas não obteve resposta. O DN quis também saber a quem vai caber a indicação para a realização do aborto - se a médicos do sector público ou do sector privado. Sendo certo que, se há problemas no cumprimento da lei nos hospitais, eles se prendem precisamente com a decisão médica.

OBJECÇÕES. Aliás, o anúncio, por parte de Correia de Campos, de que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) vai contratar a realização de abortos em clínicas privadas como "saída" para aquilo que considera uma situação de incumprimento da lei com "sérias proporções" está a suscitar reacções contraditórias entre a classe médica. Há quem considere que a medida corresponde a um "baixar de braços" da tutela, que se manifestaria assim incapaz de obrigar ao cumprir da legalidade, e quem questione a asserção de base do ministro, considerando que, pelo contrário, a lei está a ser cumprida e que "não há é tantos abortos como o ministro gostaria".


Ler Artigo Completo(Pág.1/3) Página seguinte
Patrocínio
 
0Visualizações
0Impressões
0Comentários
0Envios
Ferramentas

Enviar por EmailEnviar por EmailPartilharPartilhar
ImprimirImprimir
Aumentar TextoAumentar TextoDiminuir TextoDiminuir Texto

FERRAMENTAS
 
  • Enviar por EmailEnviar
  • PartilharPartilhar
  • ImprimirImprimir
  • Comentar este ArtigoComentar este Artigo
  • Aumentar TextoAumentar Texto
  • Diminuir TextoDiminuir Texto
 
PARTILHAR NOTíCIA
 


PUB

Especiais

Recuar
Avançar
Continente UVA D'OURO 2014 DN 300x100
Epaper

PUBLICIDADE

sondagem

Inquérito DN

Concorda que professores sejam avaliados através de uma prova?

Sim
Não
Votar  Ver Resultados



DN

Epaper

Epaper