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"Universidade do terrorismo"

 

O Iraque está transformado numa espécie de "Universidade do terrorismo", onde os "estudantes" - jihadistas sem fronteiras - aprendem técnicas de guerrilha urbana. Uma vez obtidos os respectivos "diplomas", seguirão caminho, aplicando o que "aprenderam" nos países de origem, como a Jordânia, o Egipto e a Arábia Saudita, entre tantos outros. Este é um dos melhores resumos feitos pela imprensa americana ao mais recente relatório secreto da CIA sobre o terrorismo no Iraque. No documento, alerta-se precisamente para a possibilidade de o Iraque poder ser um terreno ainda mais propício ao fomento da jihad do que foi o Afeganistão nas décadas de 80 e de 90. Chamam-lhe até "West Point do Terrorismo", numa referência à academia onde se formam muitos militares americanos. Este lado "didáctico" da guerrilha que assola o Iraque, de "laboratório em tempo real", constitui, de facto, um problema, o "class of '05 problem", na terminologia da CIA. A guerrilha urbana surgida após a invasão do Iraque em 2003 e o anúncio oficial do fim da guerra é, segundo analistas, exactamente o que os terroristas desejam. Constitui o tipo de conflito que lhes permite, longe de casa, aprender técnicas sobre ataques suicidas, assassínios, explosões. Munidos destes conhecimentos, aplicá-los-ão, pela certa, nos países de origem ou onde for preciso atacar interesses do "Grande Satã" (os EUA). Impulsionados pelos exemplos de "sacrifício e de martírio" dos afegãos contra os "infiéis" soviéticos, estes terroristas deitam por terra, de uma vez por todas, a "tese do flypaper" (papel mata-moscas), preconizada por George W. Bush. Com base nesta ideia, atrair os terroristas ("moscas") para o conflito no Iraque impede que o problema chegue ao Ocidente, em geral, e à América, em particular. Uma ideia que, pela ingenuidade, muitos analistas já diziam não ter pernas para andar, mas que, agora, a CIA corrobora. Por outras palavras, quando a Casa Branca afirma que "estamos a combater os terroristas no Iraque para não termos de os combater em casa", não levará em devida consideração os conhecimentos e a rede de contactos que os extremistas estão a cimentar no terreno.


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