Vários milhares pessoas marcharam ontem em Madrid contra a legalização dos casamentos entre homossexuais, num protesto organizado pelo Fórum Espanhol da Família, que congrega cinco mil associações católicas de Espanha. "Pelo direito a um pai e a uma mãe" ou "A família sim, ela conta" e "Como se nota, as crianças não votam" foram alguns dos slogans repetidos pelos manifestantes, que exigiram a anulação da lei, aprovada recentemente, que permite as uniões gay.
O elevado número de manifestantes levou os organizadores a exigir serem recebidos com urgência pelo primeiro-ministro Zapatero. Vários membros da Igreja juntaram-se à multidão, munida de bandeiras espanholas e cartazes, assim como o secretário geral do PP espanhol, Angel Acebes, entre outros altos dirigentes daquele partido de direita. O aparecimento na marcha do arcebispo de Madrid, António María Rouco Varela, motivou uma ovação dos madrilenos que percorreram as principais ruas da capital espanhola, sob temperaturas de mais de 30 graus, reclamando um conceito legal de matrimónio em consonância com os ditames da Igreja católica. "Matrimónio verdadeiro = Homem + Mulher", era uma das frases reproduzidas nos cartazes. Os participantes chegaram à cidade vindos de todo o país através de 600 autocarros, três aviões e uma dezena de comboios, alugados expressamente pelos organizadores.
Durante o protesto, foi lido um manifesto, o qual acusa o Governo espanhol de atentar contra os fundamentos da família e exige um alei que garanta a cada criança o direito a ter um pai e uma mãe. Mas as reivindicações do adeptos do "não" à legalização das uniões entre pessoas do mesmo sexo não se ficam por aqui. Uma política integral de protecção da família, uma lei que garanta e reforce o respeito pela vida humana na sua integridade e uma valorização positiva das convicções religiosas na sociedade são outros dos pontos abordados.
Recorde-se que, em Abril, o Parlamento espanhol deu luz verde à legislação que permite os casamentos homossexuais. A sua aprovação definitiva deverá ocorrer no Senado, final deste mês. Esta lei garante ainda que os casais gay podem adoptar crianças.
Horas antes, o Executivo espanhol havia expressado "o respeito pelo direito aos cidadãos de se manifestarem", mas deixou expresso de que "os que se manifestem hoje o fazem para exigir que um direito seja negado a outros".
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