por
Pedro Correia
Poucos autores como Luís de Camões têm resistido tanto ao desgaste do tempo. A prova está à vista, na própria linguagem quotidiana dos portugueses. Abre-se um jornal, escuta-se um noticiário radiofónico e lá surge uma expressão camoniana, com a marca inconfundível do seu autor.
Quando dizemos "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" ou "amor é fogo que arde sem se ver", estamos (mesmo sem saber) a prestar homenagem ao mais célebre dos nossos poetas, falecido a 10 de Junho de 1580 - data que se tornou Dia Nacional . Trata-se, em qualquer dos casos, de primeiros versos de sonetos de Camões que resistiram incólumes à erosão do tempo e à sucessão de modas. Como observou Jacinto do Prado Coelho, "Camões foi um intérprete incomparável da portugalidade".
actual. Mas é sobretudo através da sua épica que Camões continua ainda hoje a enriquecer o património linguístico português, com uma surpreendente actualidade. Mesmo quem nunca leu Os Lusíadas faz constantes citações do nosso mais célebre poema épico.
Começa logo nos primeiros versos, que figuram entre os mais emblemáticos de toda a poesia portuguesa "As armas e os barões assinalados / Que da ocidental praia lusitana, / Por mares nunca dantes navegados, / Passaram ainda além da Taprobana". Inúmeras frases que usamos diariamente aludem às "armas e barões assinalados" ou à "ocidental praia lusitana", que se tornou sinónimo de Portugal.
Outros versos d'Os Lusíadas transpostos para a linguagem corrente "Daqueles reis que foram dilatando / A Fé, o Império (...)"; "E aqueles que por obras valerosas / Se vão da lei da Morte libertando: / - Cantando espalharei por toda a parte, / Se a tanto me ajudar o engenho e arte." (Canto I, 2).
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