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Ciberjornalismo português rudimentar dez anos depois

por

marina almeida  

"O ciberjornalismo está numa fase rudimentar em Portugal" dez anos depois dos conteúdos jornalísticos terem chegado à Web. As empresas não apostam nesta área, os projectos de informação existentes não tiram partido das enormes potencialidades da rede. O grafismo dos sites é pobre, não se explora a interactividade, o hipertexto ou o multimedia. E o atraso pode demorar anos a recuperar.

É desta forma que Hélder Bastos, docente do curso de Jornalismo da Universidade do Porto, um dos participantes nas jornadas Dez Anos de Jornalismo Digital em Portugal Estado da Arte e Cenários Futuros que hoje começam na Universidade do Minho, resume o panorama nacional. O académico considera que "há alguns bons exemplos (o Público.pt, a TSF e o Portugal Diário) mas "não há um site português que faça reportagem multimedia".

"Em Portugal, a Web é mais utilizada como suporte que como meio", considera João Canavilhas, docente da Universidade da Beira Interior (que também vai estar nas jornadas de Braga). "Os jornais transcrevem a versão de papel para Net, alguns têm notícias de última hora e põem os contactos dos jornalistas, as rádios e televisões redigem as notícias, têm alguns sons mas não os integram no texto", diz o investigador. "Mesmo os jornais digitais como o Portugal Diário ou o Diário Digital funcionam como os outros uma galeria multimedia resume- -se a uma sequência de fotos!"

pub. Os dois investigadores estão de acordo quanto às causas deste panorama o fraco investimento das empresas jornalísticas nesta área (depois de uma "febre inicial", no final dos anos 90). Hélder Bastos junta outra variável à equação: "A tentativa de testar mercado publicitário não tem sido satisfatória e criou-se um impasse: as empresas não investem porque não têm forma de o garantir."

Pedro Brinca, director do Setúbal na Rede, o primeiro jornal português exclusivamente online, sente na pele as dificuldades "Em sete anos e meio nunca publicámos um anúncio vindo de uma agência." O jornal vai "sobrevivendo", agora com uma equipa de cinco pessoas: "As empresas da região não entendem o que é o suporte digital, as grandes empresas, que trabalham com agências, desprezam os meios digitais." "O baixo preço da nossa publicidade é um obstáculo", diz e concretiza: "As agências não estão preocupadas com a eficácia mas com a sua comissão."


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