por
ncátia almeida
Os empresários portugueses com negócios na China afirmam que não estão a receber o apoio e a assistência do Governo de Portugal necessários ao bom desenvolvimento da entrada estratégica naquele mercado. Falta de informação, incentivos reduzidos, inexistência de actividades promocionais, fraco apoio logístico e dificuldades no acesso a linhas de crédito são as áreas onde as empresas requerem uma ajuda do Executivo.
Também num sentido lato, os empresários destacam a importância do apoio político junto do Governo chinês, uma vez que este tem ainda um papel muito interventor na economia e na decisão de muitas empresas chinesas.
Estas são algumas das conclusões de um inquérito feito pela secretária-geral da Câmara de Comércio Luso-Chinesa e que serão incluídos na sua tese de doutoramento, a ser apresentada brevemente na Universidade de Sevilha. Em declarações ao DN, Fernanda Ilhéu sustentou que o apoio requerido pelas empresas nacionais "vai além do dinheiro. Os empresários não se sentem acompanhados, têm pouca informação e não sabem em qual devem confiar. Não existem estímulos internos para escolher o mercado chinês. Por outro lado, outros governos, como o espanhol, têm tasks forces no terreno para ajudar as empresas, identificam oportunidades e criam fundos de apoio".
De facto, o apoio do Governo de Espanha tem aumentado significativamente. Depois de concluído o projecto de 2002-2005, o ministro da Indústria, Turismo e Comércio apresentou em Pequim, na sexta-feira, o novo 'Plano China', para o período 2005-2007, que conta com 690 milhões de euros. O objectivo é reforçar a presença das empresas do país vizinho na China e incentivar o investimento chinês em Espanha. Este plano contempla ainda instrumentos de apoio financeiro, através da negociação de um novo protocolo financeiro com a China, que será dotado com 500 milhões de euros. Para promover o investimento chinês em Espanha, o Governo impulsionará a linha de crédito China Fiex-Fonpyme, com uma dotação de 90 milhões de euros. O plano contempla ainda a promoção de Espanha como destino turístico.
"Também entre Portugal e a China foi criada uma linha de crédito, no Governo de Cavaco Silva, de 200 milhões de euros. Porém, esta linha não é utilizada por não ser competitiva", frisou Fernanda Ilhéu.
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