O presidente da Câmara do Porto diz que não se deixa atemorizar com o processo crime movido pela ministra da Cultura e diz que vai continuar com as obras, "em termos de segurança", do Túnel de Ceuta. Rui Rio considera que a segurança das pessoas que circulam junto à saída da obra embargada pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) "está em primeiro lugar", assim como a reparação da conduta que abastece de água a zona da Boavista e, mesmo ontem, decidiu escrever ao primeiro-ministro para que intervenha no processo.
"A senhora ministra pode mover os processos-crime que entender que a mim não me vai atemorizar", salientou o autarca, para quem "a teimosia e a chantagem da ministra da Cultura não funciona". Rio afirma que está a respeitar o embargo e que as obras em execução junto ao Museu Nacional Soares dos Reis visam apenas "tapar a trincheira no cruzamento e à porta do Hospital de Santo António" e a substituição da conduta de água. A autarquia entende que "tapar o buraco" e asfaltar o pavimento é uma solução "mais barata" do que manter o piso sobre estacas de ferro como preconiza o IPPAR. Por isso, acrescenta Rui Rio, não está "para alimentar birras e a teimosia" de Isabel Pires de Lima "que está a travar uma guerra com a cidade do Porto" e que demonstrou "falta de dignidade" por não ter comparecido na abertura da Feira do Livro do Porto" e enfrentado, "olhos nos olhos", o presidente da autarquia.
O IPPAR é, no entanto, claro na carta que enviou anteontem à câmara "Face à gravidade da situação foi participada esta acção continuada, de contornos criminais, da responsabilidade do presidente do Conselho de Administração do Gabinete de Obras Públicas (GOP), presidente da câmara e empreiteiro, ao Ministério Público."
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