As despesas dos utentes com os medicamentos em Portugal são as segundas mais elevadas da Europa dos 15, representando 0,8% do PIB, apesar de o preço dos remédios vendidos no País ser dos mais baratos. Isto porque Portugal apresenta os valores mais altos de prescrição e consumo, refere o relatório.
Como exemplo, é referida a evolução do sector entre 2001 e 2002. Neste ano, a despesa com medicamentos subiu 80 milhões de euros, mas "apenas 15,5 milhões podem ser atribuídos ao aumento dos preços". 81% deste acréscimo é explicado pela alteração dos padrões de consumo - com a prescrição de medicamentos mais caros - e pelo aumento do número de receitas por pessoa. Como consequência, o País tem também registado o maior crescimento da despesa pública com medicamentos, por via das comparticipações. Os medicamentos têm um peso cada vez maior no orçamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Entre 1994 e 2002, a despesa teve uma taxa anual de crescimento de 10,9%, enquanto o peso dos restantes encargos aumentou a uma taxa anual de 8,2%.
As previsões apontadas pelo estudo dizem que, em 2012, o gasto com fármacos representará já 30% do orçamento do SNS - mais de três mil milhões numa verba total de doze mil milhões. As recomendação do estudo elaborado pela consultora têm como objectivo dar resposta à necessidade de racionalizar gastos, assegurando a sustentabilidade do sistema, e, ao mesmo tempo, garantir um melhor acesso aos medicamentos dos doentes com patologias mais incapacitantes e com menores recursos.
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